Complexidade do Genoma Humano – 2ª Parte…

– Objetivos e Importância

O Projeto Genoma Humano (PGH) é um empreendimento internacional, projetado para uma duração de quinze anos. O mesmo teve início em 1990 com vários objetivos, entre eles identificar e fazer o mapeamento dos cerca de 80 mil genes que se calculava existirem no DNA das células do corpo humano, determinar as sequências dos 3 bilhões de bases químicas que compõe o DNA humano, armazenar essa informação em bancos de dados, desenvolver ferramentas eficientes para analisar esse dados e torná-los acessíveis para novas pesquisas biológicas. Outro objetivo do PGH é descobrir todos os genes na sequência de DNA e desenvolver meios de usar esta informação no estudo da Biologia e da Medicina, envolvendo com isso a melhoria e simplificação dos métodos de diagnósticos de doenças genéticas, otimização das terapêuticas para essas doenças e prevenção de doenças multifatoriais (doenças causadas por vários fatores), no que diz respeito a saúde. Porém, seu objetivo principal é construir uma série de diagramas descritivos de cada cromossomo humano, com resolução cada vez mais apuradas mas, para isto é necessário: 1 – dividir os cromossomos em fragmentos menores que possam ser propagados e caracterizados; 2 – depois ordenar os mesmos de forma a corresponderem a suas respectivas posições nos cromossomos, ou seja, fazer o mapeamento. Segundo os pesquisadores envolvidos no PGH – o verdadeiro objetivo inicial do PGH não era o sequenciamento muito complexo, caro e trabalhoso porém, era um mapeamento detalhado do genoma, só que, no decorrer do processo, os progressos tecnológicos foram tão grandes que propiciaram o sequenciamento mesmo antes do prazo previsto. No entanto, alguns críticos do PGH argumentam que seus objetivos eram tratar, curar ou prevenir doenças, só que, para eles, este é um longo caminho e por enquanto seu principal resultado são as companhias de biotecnologia comercializando kits diagnósticos (Nota pessoal: sempre alguém ganha com isso, e o genoma já tem seus derivados garantidos para dar lucro).

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A grande importância do PGH é sua busca pelo melhoramento humano e a tentativa de tratar, prevenir ou até mesmo curar doenças genéticas com outras causas de doença (álcool, drogas, depressão…), considerando-as todas de origem genética e divulgando que um dia encontremos uma “solução genética” para estas condições de saúde. Porém devemos lembrar que a análise genética não é infalível e seus dados são, com frequência, mal interpretados devido a uma tendência ideológica da qual os pesquisadores participam quase que inconscientemente. Para o pesquisador Wilke (1994) tamanha ênfase na constituição genética da humanidade pode nos levar a esquecer que a vida é mais do que a mera expressão de um programa genético escrito na química do DNA. Tome-se por exemplo a anemia falciforme, uma das doenças genéticas mais conhecidas e a primeira a ter seu gene identificado. Chama a atenção o atraso das pesquisas e a pouca participação da genética na melhoria da condição de saúde dos pacientes e o PGH não vai mudar essa situação a curto prazo, pois o conhecimento de um gene é uma garantia de avanço terapêutico.

Fonte: Massachusetts Institute of Technology. “Human Genes: Alternative Splicing Far More Common Than Thought.” ScienceDaily. 2008. Disponível em: www.sciencedaily.com/releases/2008/11/081102134623.htm

Genoma-Post-01.07.2015-1– O Problema da Ética

A informação advinda do projeto deve servir para proteger e melhorar a saúde – curar ou prevenir doenças. Porém, além do entusiasmo com os enormes benefícios que poderão advir das descobertas genéticas, fica a preocupação com algumas de suas consequências sociais. Um dos temores, é que os empregadores passem a exigir teste de DNA dos seus operários, levando a uma exclusão social por conta apenas de uma probabilidade, e não de uma certeza de alguma doença, isso levará a uma criação de um possível novo grupo de trabalhadores desempregados, neste século da biotecnologia, baseado apenas nos seus genótipos.

Genoma-Post-01.07.2015-2(Nota pessoal: Em uma sociedade em que as pessoas podem ser estereotipadas pelo genótipo, o poder institucional se torna mais absoluto. Ao mesmo tempo, a divisão da sociedade em indivíduos e grupos “superiores” e geneticamente “inferiores”, surgirá uma nova classe social poderosa. Para evitar uma possível classe de desempregados descriminados geneticamente, será preciso fixar limites e impedir que instituições pratiquem a discriminação. Outro aspecto preocupante é os da seguradora, uma vez que elas podem cobrar o chamado “agravo” em casos de doenças pré-existentes – o que é assegurado por lei federal – elas usam o testes de DNA como pretexto para aumentar o valor das contribuições mensais levando em consideração não a certeza, mas a probabilidade de determinada doenças.)

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– O que é um Mapa Genético? – explicando os marcadores genéticos

Dispor de um mapa genético talvez seja equivalente a termos, metaforicamente, um mapa de uma cidade grande, como, por exemplo, de São Paulo. Podemos dizer que a cidade de São Paulo corresponde ao genoma humano (os 23 pares de cromossomos) e que cada um dos cromossomos corresponde a um bairro. Ainda, precisamos de um mecanismo que divida o cromossomo em ruas. Este mecanismo deve permitir a identificação de cada pessoa: ou seja, poderíamos dizer que, estando diante de uma rua, teríamos vários números, e que cada um é específico de uma casa. E é a esse mecanismo que chamamos de marcador genético. Qual a importância de dispormos de marcadores, ao longo do genoma? Utilizando a analogia geográfica, se tivermos só alguns marcadores isto corresponde a termos um mapa com alguns bairros de São Paulo. Se você tiver um mapa assim, como irá localizar a rua que deseja? Possivelmente você conseguirá, porém vai levar muito mais tempo.

Genoma-Post-01.07.2015-4– O Estudo dos Embriões

É a discussão principal, envolvendo os estudos com embriões, cuja investigação é proibida por quase todos os países, que está causando uma grande polêmica. O problema é que as células embrionárias formam o material básico de quase todos os tecidos do organismo, e os geneticistas acreditam que podem usá-las para produzir órgãos e tecidos humanos para transplantes ou corrigir determinadas transtornos (como o Mal de Parkinson e o Diabetes). Esse tipo de material só pode ser obtido de embriões humanos ou de fetos no início de seu desenvolvimento. É fundamental que haja um controle ético para situações em que as inovações tecnológicas confrontam-se com valores morais, especialmente pela influência econômica que cerca o Projeto Genoma Humano. A possibilidade de eugenia, discriminação, clonagem de seres humanos e patentes de genes humanos devem ser consideradas e é nesse sentido que a dignidade humana se apresenta como um ponto de equilíbrio, servindo de paradigma às discussões bioéticas na pós-modernidade.

Genoma-Post-01.07.2015-5– A Clonagem

O projeto genoma humano e os desafios da bioética na pós-modernidade: princípio da dignidade da pessoa humana como paradigma às questões bioéticas.

A Clonagem é um mecanismo comum de reprodução de espécies de plantas ou bactérias. Um clone pode ser definido como uma população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma única célula e que são idênticas à célula original. Em humanos, os clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um óvulo fertilizado.Vamos às controvérsias:

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1 – A clonagem põe em risco a identidade do clone, desde o início da “cópia” do ser que lhe deu origem; (?)

2 – Põe em gravíssimo risco a liberdade do clone, que será  educado como dependendo, inteiramente, das opções e fins do que lhe deu origem. (?)

3 – Conduz à marginalização social do clone, que será considerado pelos indivíduos “normais” como uma cópia e não como um indivíduo; (?)

4 – Resulta de uma decisão egoísta e narcisista do clonador, que por razões inteiramente pessoais e não defensáveis, resolveu fazer uma cópia de si mesmo para ter a ilusão de imortalidade, para ter um sucessor que ache igual a si mesmo, etc.; (?)

5 – Não resolve uma esterilidade, já que o clone não terá pai nem mãe o que lhe cria também inultrapassáveis dificuldades sociais, jurídicas e afetivas; (?)

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Quanto à clonagem terapêutica, as opiniões dividem-se. Para os que entendem que o clone não implantado não é um embrião, os problemas éticos não têm relevância, já que o objetivo será melhorar ou curar doenças graves, o que em si é ético e louvável. Para os que não vêem diferenças entre o embrião “normal” ainda não implantado e o clone ainda não implantado, o problema ético é grave, pois embora os fins sejam nobres, não justificam os meios, que constam na instrumentalização do clone e na sua destruição, a fim de fabricar células estaminais. Dado que os clones têm todo o potencial para resultarem, se implantados, em novos indivíduos da respectiva espécie, parece que esta última posição é a mais fundamentada e que por isso toda a clonagem humana é imoral e deve ser proibida (?).

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– O Ponto de vista Espiritual da Clonagem

Muitos de nós conhecemos, talvez, um par de gêmeos idênticos e sabemos que, por mais parecidos que sejam, eles, na verdade, não são exatamente iguais. Resta-­nos perguntar por quê? Embora eles tenham corpos físicos exatamente iguais, inclusive do ponto de vista genético (o mapa de genes deles é exatamente igual, pois eram um único corpo ­ gerado por apenas um espermatozóide e um óvulo ­ que, por algum processo da natureza que a ciência ainda não conhece bem, se multiplicou em dois corpos ou até em mais, às vezes), eles não são o mesmo espírito, pois um mesmo espírito não pode dar vida a dois corpos diferentes ao mesmo tempo, mesmo que esses corpos sejam geneticamente iguais. Ora, se eles não são o mesmo espírito, eles também não são a mesma pessoa, pois são individualidades diferentes, já que a individualidade está sediada no espírito, conforme entendem as doutrinas espiritualistas. Assim, espíritos diferentes, pessoas diferentes. Ainda que os corpos sejam absolutamente iguais, trata-­se de duas pessoas diferentes. Querer que dois gêmeos idênticos (ou dois clones) sejam absolutamente iguais, seria a mesma coisa que querer que duas pessoas se tornassem idênticas, física e psicologicamente, apenas por vestirem a mesma roupa, já que o corpo físico é como uma roupa que o espírito usa durante uma encarnação e troca para a encarnação seguinte. Agora, digamos/suponhamos que um cientista consiga reproduzir perfeitamente o corpo de uma pessoa já falecida. Do ponto de vista espiritual, poderíamos dizer que existe a possibilidade de que o mesmo espírito reencarnasse no novo corpo clonado. Sim, isso é perfeitamente possível. Mas será que assim essas pessoas seriam exatamente iguais? A resposta seria não, simplesmente porque as características da personalidade de um espírito mudam minuto a minuto, durante uma mesma vida, nos intervalos entre as vidas e, consequentemente, de uma vida para outra, e podem ser influenciadas pelo meio em que vivem, pelo ambiente, época, cultura, família, cidade, educação, etc. Mas nós podemos ir mais longe e supor que um desses cientistas consiga duplicar o corpo de alguém falecido e consiga também, proposital ou acidentalmente, fazer com que, nesse corpo, reencarne o mesmo espírito. E que este cientista, sendo espiritualista e querendo “enganar a natureza”, isole esse espírito, reencarnado numa cópia física de seu último corpo, num mundo fictício, um mundo exatamente igual àquele em que ele foi criado e viveu na sua vida anterior, enfrentando os mesmos fatos, passando pelos mesmos acontecimentos, situações, experiências, com um corpo igual ao clonado. Será que assim esse cientista obteria um clone perfeitamente igual à pessoa falecida? Novamente a resposta seria NÃO, simplesmente porque, entre uma vida e outra, no período em que esteve desencarnado entre as duas encarnações com corpos iguais, aquele espírito viveu e aprendeu várias coisas e já não reagirá da mesma forma às experiências a que for submetido em vida, mesmo que essas experiências sejam exatamente iguais às da vida anterior. O espírito é algo extremamente dinâmico, progressivo, que evolui constantemente, e, embora sejamos teimosos e gostemos de ficar marcando passo em comportamentos errados, não conseguimos ficar tão estáticos e estacionados a ponto de sermos iguais em duas vidas consecutivas. Portanto, a clonagem pode até dar certo do ponto de vista físico, mas nunca vai dar certo do ponto de vista espiritual.

– Uma Entrevista com Eurípedes Kühl sobre a Clonagem e o Espiritismo

A possibilidade de se criar cópias exatas de seres humanos pela clonagem é um tema que vem despertando polêmica em todos os setores da sociedade. Para nós estendermos a visão espírita sobre o assunto, transcrevemos uma entrevista com o médium, pesquisador e autor espírita, Eurípedes Kühl.

1 – O tema “clonagem de seres humanos” vem sendo cada vez mais discutido, em todos os setores da sociedade. Como o Espiritismo vê essa questão?

EK – A clonagem dos seres humanos, ora em discussão (e proibição?) mundial, vê-a o Espiritismo como inegável avanço científico-tecnológico. Não obstante, situa-a no escorregadio rol moral do progresso, pelo que só pela Lei Divina do Amor deve ser empregada. Assim, apenas o bom senso poderá ser o árbitro da utilização dos métodos de clonagem – exclusivamente para fins terapêuticos, jamais, reprodutivos.

2 – O senhor disse, numa entrevista, que o Espiritismo vê a genética como “subsidiária da vida e, como tal, sob responsabilidade de mensageiros do plano espiritual. No tempo certo, a humanidade recebe tais avanços”. Isso pode significar que quaisquer avanços com relação à clonagem são bem-vindos?

EK – Sim: da clonagem terapêutica.

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3 – O senhor também afirmou que está registrado em O Livro dos Espíritos, questão 19, que os segredos da ciência foram dados ao homem para o seu progresso, mas jamais ele poderá ultrapassar os limites estabelecidos por Deus. Como determinar esses limites?

EK – A Natureza – obra de Deus – é mãe dadivosa, que protege todos os seres vivos e como tal, ao sofrer injúrias, pelos descaminhos dos seus filhos, impõe-lhes limites, pela lei de ação e reação, devolvendo-lhes os mesmos resultados, a título de preciosa lição. A teratologia em 95% a 98,5% das tentativas de clonagem reprodutiva nos parece limite indiscutível. Mais que limite: vigorosa proibição!

4 – Esses limites incluem a impossibilidade de clonar outros seres humanos?

EK – Embora cientificamente viável, a clonagem reprodutiva de seres humanos, a nosso ver, para ser alcançada, promove descarte de impressionante quantidade de embriões, o que se enquadra em descaminho, já que nada acrescenta à vida, sendo falso o ufanismo de tê-la criado, o que não é verdade, eis que o homem manipula células, mas não consegue criar uma única.

Genoma-Post-01.07.2015-105 – Uma questão que também vem sendo bastante discutida nos meios espirituais em geral – não apenas no Espiritismo, mas em diversas religiões do planeta – é a questão da alma do clone. Como ocorreria o processo, segundo o Espiritismo?

EK – A alma de um clone humano – se algures este houver – será aquela que, sob supervisão das leis divinas, máxime a da reencarnação, será destinada a esse corpo terreno, para vivenciar experiências, nas mesmas condições físicas que lhe seriam propiciadas pelas premissas de uma existência material normal. Tais premissas, consentâneas a um programa reencarnatório pré-estabelecido (em função do nível moral daquele que vai reencarnar), visam sempre à evolução espiritual do ser.

5 – Existe alguma diferença com relação à gestação normal de um ser humano?

EK – Imaginamos que a gestação de um clone seria similar àquela que a gestante experimenta sob fecundação assistida.

Genoma-Post-01.07.2015-116 – Como o espírito que vai reencarnar se une ao corpo criado, ou clonado?

EK – A união espírito-corpo ocorre no instante da fecundação, sob orientação de desígnios superiores, contidos nas leis da Vida, cuja aplicação estão a cargo de Espíritos protetores – verdadeiros ministros de Deus.

7 – O senhor chegou a dizer que a clonagem, ainda que seja um fato científico extraordinário, em se tratando de indivíduos, é algo terrivelmente perigoso. Em que sentido é perigoso?

EK – O perigo é representado pelos prejuízos de ordem física e moral: sabe-se que a cada 100 tentativas, no mínimo 95 não prosperarão, deixando um rastro de abortos e mortes de gestantes; as cinco gestações que eventualmente prosperarem não garantirão vida saudável para os clones, a começar pelo previsível envelhecimento celular precoce.

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8 – Quais as consequências para a humanidade?

EK – Pode o homem manipular óvulos e espermatozóides, mas jamais poderá determinar que alma irá habitar num eventual clone. No caso, não poderá nem o geneticista, nem os pais, nem quem quer que seja, “escolher” a alma que irá habitar no resultado de uma clonagem humana reprodutiva. Assim, a clonagem humana reprodutiva pode descambar para a vaidade de alguém querer uma “cópia mais nova de si mesmo” (que, aliás, terá alma diferente da do “original”), ou alguma empresa de biotecnologia clonar pessoas para serem utilizadas como banco de órgãos para transplantes.

9 – Sob o ângulo científico, a clonagem é uma conquista notável, uma vez que nos dá a chance de ir além de nossos “limites” orgânicos. O senhor acredita que estamos próximos de um novo salto evolucionário?

EK – Lembramos que a aviação começou com balões, evoluiu para os aeroplanos, depois para as aeronaves a jato, hoje culminando com veículos espaciais. A clonagem, para nós, está a bordo de um figurativo 14-Bis (tem muito a progredir, mas já está dando os primeiros passos). O progresso é infinito!

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10 – Com tantos preconceitos surgindo a todo o momento na sociedade moderna, como o senhor vê, do ponto de vista espírita, as possíveis implicações morais e sociais daqueles que forem considerados “filhos” das técnicas de clonagem?

EK – Como ainda não existem clones humanos (Nota pessoal: muito provavelmente já existam e estão sob restrita e sigilosa observação, e nem mesmo eles sabem que são clones), apenas lucubramos que uma pessoa nascida como “filha” de clonagem terá imensas dificuldades sociais para administrar sua existência, a começar pelo monitoramento médico a que estará permanentemente submetida. Onde essa pessoa se apresentar estará sob o foco da curiosidade popular e de desencontrados comentários, tendentes a desestabilizar-lhe a paz. Pela filosófica certeza espírita de que “Deus não põe cruz em ombro errado”, podemos refletir que se alguém vier a passar por esse desconforto, estará apenas em processo de resgate, por ter infligido problema similar ao próximo, em vida(s) passada(s) (Nota pessoal: muito difícil afirmar isso, já que há inúmeras possibilidades para uma pessoa estar em processo de resgate, e se, ao invés de resgate, for um processo de escolha própria para esclarecer a humanidade ou ainda para demonstrar uma teoria da inviabilidade deste processo? Pensemos).

Genoma-Post-01.07.2015-1411 Imagina-se que, quando estiverem totalmente disponíveis, as técnicas de clonagem humana estarão acessíveis apenas a grupos restritos, ou seja, quem tiver muito dinheiro para cobrir os custos de qualquer tratamento na área. Como o Espiritismo vê essa questão?

EK – A clonagem humana reprodutiva estará, sim, restrita aos ricos. É, aliás é, o que ocorre com a fecundação assistida. Na nossa opinião, o Espiritismo não concorda com a clonagem reprodutiva, mas considera proveitosos os efeitos da clonagem terapêutica (hoje eleita por sete entre dez especialistas). Os beneficiários enquadram-se na Lei de Ação e Reação, sendo de supor-se que reuniram méritos na obtenção dessa graça, por término da provação ou expiação patológica que vinham sofrendo. Lembramos que Jesus, em meio à existência física de muitos cegos e paralíticos, curou alguns, mas não a todos. Inescapável que os agraciados eram disso merecedores (Nota pessoal: difícil prevermos os motivos da Consciência Crística com relação à demonstração dos ditos “milagres” naquela época e para aquelas pessoas, no contexto da sua vinda ao planeta e qual seriam os motivos/objetivos de tais demonstrações). 

12 – Como lidar com a questão moral, que já existe no mundo hoje mesmo, independentemente da clonagem humana?

EK – Submetendo todas as ações à ética cristã – evangelhoterapia!

13 – O uso de células-tronco poderá conter chaves para vários tratamentos de doenças que, hoje, estão à margem dos progressos científicos. Contudo, esse material vem de embriões que não chegaram a se desenvolver, ou que foram impedidos de seguirem seu curso normal. Como o Espiritismo encara essa situação?

Genoma-Post-01.07.2015-15EK – Células-tronco constituem, num primeiro passo, a bênção até aqui alcançada pelas pesquisas com a clonagem. Bênção incalculável, sublime. Seu emprego acena com a eliminação de praticamente quase todas as doenças (Nota pessoal: precipitada conclusão, já que a todo momento estamos diagnosticando novas anomalias, novos vírus e bactérias, provenientes de mutação genética por defensivos agrícolas, aditivos alimentares altamente nocivos, alterações climáticas, acidentes radioativos e etc.). De forma alguma o Espiritismo concorda com a utilização de células-tronco embrionárias. Isso porque após a extração das células necessárias, o que restar de cada embrião será descartado, configurando-se o nefando crime do aborto, inadmissível para nós, espíritas. (Nota pessoal: absolutamente uma decisão de foro íntimo e consideração individual de cada caso, de cada situação, de cada vida e seu propósito em si mesma). Contudo, Deus, na Sua bondade infinita, bem depressa já permitiu à ciência descobrir que todos os indivíduos, mesmo e principalmente os adultos, têm células-tronco em si mesmos, propiciando auto-emprego com rejeição “zero”, o que dispensa as alienígenas, vindas de embriões. Ampla reportagem no jornal Folha de S. Paulo (21/06/2002) dá conta que cientistas da Universidade de Minnesota, EUA, descobriram que células-tronco adultas da medula óssea podem se transformar em qualquer tipo de tecido, assim como suas equivalentes embrionárias.

(Nota pessoal: Resumindo e falando cientificamente, as células-tronco são células capazes de autorrenovação e diferenciação em muitas categorias de células. Elas também podem se dividir e se transformar em outros tipos, além disso, as células-tronco podem ser programadas para desenvolver funções específicas, tendo em vista que ainda não possuem uma especialização. Basicamente, as células-tronco podem se auto-replicar, ou seja, se duplicar, gerando outras células-tronco. Ou ainda se transformar em outros tipos de células, veja abaixo o esquema:

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Existem três principais tipos de células-tronco: as embrionárias e as adultas, que são encontradas principalmente na medula óssea e no cordão umbilical, oriundas de fontes naturais e, as pluripotentes induzidas, que foram obtidas por cientistas em laboratório em 2007. As células pluripotentes, ou embrionárias, são assim chamadas por possuir a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula adulta. Elas são encontradas no embrião, apenas quando este se encontra no estágio de blastocisto (4 a 5 dias após a fecundação). Na figura abaixo, a região circulada em vermelho é chamada Massa Celular Interna e é esta massa de células que chamamos de células-tronco embrionárias. Em uma fase posterior ao embrião de 5 dias, ele já apresenta estruturas mais complexas como coração e sistema nervoso em desenvolvimento, ou seja, as suas células já se especializaram e não podem mais ser consideradas células-troncos. O corpo humano possui, aproximadamente, 216 tipos diferentes de células e as células-tronco embrionárias podem se transformar em qualquer uma delas. Esse esquema exemplificando este processo:

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Na fase adulta, as células-tronco encontram-se, principalmente, na medula óssea e no sangue do cordão umbilical, mas cada órgão do nosso corpo possui um pouco de células-tronco para poder renovar as células ao longo da nossa vida, como mostra a figura. Elas podem se dividir para gerar uma célula nova ou outra diferenciada. As células-tronco adultas são chamadas de multipotentes por serem menos versáteis que as embrionárias.

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As primeiras células-tronco humanas induzidas foram produzidas em 2007, a partir da pele. E tem sido daí que são retiradas as células para reprogramação, mesmo que teóricamente, qualquer tecido do corpo possa ser reprogramado. O processo de reprogramação se dá através da inserção de um vírus contendo 4 genes. Estes genes se inserem no DNA da célula adulta, como, por exemplo, uma da pele, e reprogramam o código genético. Com este novo programa, as células voltam ao estágio de uma célula-tronco embrionária e possuem características de autorrenovação e capacidade de se diferenciarem em qualquer tecido, como na figura abaixo:

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Estas células são chamadas de células-tronco de pluripotência induzida ou pela sigla IPS (do inglês induced pluripotent stem cells). A pesquisa com as células-tronco é fundamental para entender melhor o funcionamento e crescimento dos organismos e como os tecidos do nosso corpo se mantêm ao longo da vida adulta, ou mesmo o que acontece com o nosso organismo durante uma doença. As células-tronco fornecem aos pesquisadores ferramentas para modelar doenças, testar medicamentos e desenvolver terapias que produzam resultados efetivos. A terapia celular é a troca de células doentes por células novas e saudáveis, e este é um dos possíveis usos para as células-tronco no combate a doenças. Em teoria, qualquer doença em que houver degeneração de tecidos do nosso corpo poderia ser tratada através da terapia celular. Para pesquisas de células-tronco, todos os tipos são necessários para análise pois cada uma delas têm um potencial diferente a ser explorado e, em muitos casos, elas podem se complementar. Mesmo após a criação das células IPS, não podemos deixar de utilizar as células-tronco embrionárias, pois sem conhecê-las seria impossível desenvolver a reprogramação celular. Além disso, embora os resultados sejam muito promissores, as IPS e as embrionárias ainda não são 100% iguais e o processo de reprogramação ainda sofre com um mínimo de insegurança por conta da utilização dos vírus. Existem outras opções sendo estudadas, mas é muito importante que possamos ter e comparar esses 2 tipos celulares. Mesmo com os resultados testes sendo positivos ou, pelo menos, promissores, as pesquisas de células-tronco e suas aplicações para tratar doenças ainda estão em estágio inicial. É preciso utilizar métodos rigorosos de pesquisa e testes para garantir segurança e eficácia a longo prazo. Quando as células-tronco são encontradas e isoladas, é necessário proporcionar as condições ideais para que elas possam se diferenciar e se transformar nas células específicas necessárias no tratamento escolhido, e, para esse processo, é necessário bastante experimentação e testes. Além de tudo, é necessário o desenvolvimento de um sistema para entregar as células à parte específica do corpo e estimulá-las a funcionar e se integrar como células naturais do corpo humano.)

Fontes de Pesquisa:
The ENCODE Project Consortium. “An integrated encyclopedia of DNA elements in the human genome.” Nature 2012; 489(7414):57-74.
Departamento de Gnética e Biologia Evolutiva – Instituto de Biociências – USP -Antonini S, Kim CA, Sugayama SM, Vianna-Morgante AM – Delimitation of duplicated segments and identification of their parental origin in two partial chromosome 3p duplications. Am J Med Genet 113: 144-150, 2002. (Profa. Dra. Angela M. Vianna Morgante)
Rede Nacional de terapia Celular

IPCT – Instituro de Pesquisa com Células-Tronco – Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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– Clones para Salvar Vidas

A criação de clones de embriões humanos para extrair células-tronco surge como esperança de tratamento para doenças como Parkinson, Alzheimer e diabetes. Mas também desperta o temor de que o método possa ser usado para a clonagem de indivíduos. Pesquisadores do Centro de Terapia Celular da Universidade de Oregon (EUA) anunciaram ter conseguido clonar embriões humanos dos quais foi possível retirar células-tronco embrionárias, capazes de gerar qualquer tecido do organismo. “É um passo importante para o desenvolvimento da medicina regenerativa”, disse Shoukhrat Mitalipov, coordenador do trabalho. O artigo descrevendo o experimento foi publicado na revista científica “Cell”, uma das mais importantes da área.

Genoma-Post-01.07.2015-21No meio científico, existem razões para o otimismo. Como dito anteriormente, há dois tipos de células-tronco: as adultas e as embrionárias. As primeiras podem ser extraídas de várias partes do corpo, como a medula óssea. No entanto, não se transformam em todos os tecidos, ao contrário das embrionárias. Por isso, estas últimas são a principal esperança da medicina. Com elas poderão ser criadas terapias para doenças como Alzheimer e Parkinson, diabetes, cardíacas e ósseas. Elas serão usadas para substituir ou auxiliar o funcionamento de células atingidas por essas enfermidades e para a construção de órgãos inteiros. Investigações sobre sua eficácia estão sendo feitas no mundo.

Até a divulgação da pesquisa americana, havia duas fontes de células-tronco embrionárias. Elas podem ser extraídas de embriões doados para pesquisa ou descartados pelas clínicas de reprodução assistida. Nesse caso, porém, os tecidos criados a partir delas apresentam o risco de ser rejeitados pelo receptor, já que não possuem o mesmo material genético. Em 2006, o pesquisador japonês Shinya Yamanaka criou um método segundo o qual é possível reprogramar células da pele para que adquiram as mesmas características de uma célula-tronco embrionária. A técnica lhe rendeu o Prêmio Nobel de Medicina do ano passado. No Brasil, o procedimento já está sendo testado em animais, com sucesso. “Pela manipulação de quatro genes, conseguimos fazer essa reprogramação sem riscos”, explica o pesquisador Bruno Solano, do Centro de Biotecnologia do Hospital São Rafael, em Salvador.

O método de Yamanaka supera dois obstáculos: não há risco de rejeição, já que a célula usada é do próprio paciente, e não é necessário recorrer a embriões nem à clonagem. Por isso, há cientistas que acreditam ser esse o método que mais rapidamente chegará aos hospitais. “Nos próximos três anos, começaremos a ver os primeiros testes em humanos”, diz o pesquisador Ricardo Ribeiro dos Santos, da Fundação Oswaldo Cruz. “A pesquisa dos americanos tem sua importância, mas o uso de embriões é uma questão muito complicada”, ressalva.

De fato, o trabalho esbarra em questões éticas. Há críticas em relação à criação de embriões apenas para deles extrair células-tronco. O experimento também reacendeu o temor de que a técnica da clonagem – semelhante à utilizada para criar a ovelha Dolly, em 1996 – possa ser um dia usada para clonar seres humanos. “A clonagem é um atentado à vida e à liberdade”, diz Hermes Rodrigues Nery, do Departamento de Bioética da PUC-RJ. “Não podemos criar um outro ser humano unicamente para nos servir. ”Os cientistas asseguram, entretanto, que a técnica servirá somente para a criação de células-tronco embrionárias para serem aproveitadas com fins terapêuticos. “Nosso único objetivo é combater doenças”, defende. “A clonagem humana não é nosso foco, nem acreditamos que nossa pesquisa será usada para esse fim”, argumenta.

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– O que a Ciência diz sobre a Dieta do DNA

Com as descobertas do Projeto Genoma foi possível interpretar as informações contidas no DNA e com isso os cientistas iniciaram novas pesquisas para compreender melhor como os genes interagem com cada nutriente consumido através da alimentação. Destes estudos surgiu a ciência denominada nutrigênomica. A Dieta do DNA nada mais é do que uma promessa da nutrigenômica que afirma que em breve será possível, aos nutricionistas, elaborar um cardápio personalizado voltado para o emagrecimento ou para a prevenção de doenças que atenda às necessidades de cada indivíduo segundo seu perfil genético. Estudos apontam que alguns nutrientes podem afetar, inibindo ou estimulando, a expressão dos genes podendo influenciar no desenvolvimento de algumas doenças. Nos Estados Unidos, alguns profissionais têm indicado dietas especificas, baseadas em conceitos da nutrigenômica, para indivíduos com predisposição genética para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer.

Genoma-Post-01.07.2015-23Os alimentos que foram relacionados às possíveis interferências nos genes são:

1 – Isoflavonas, substâncias encontradas nos grãos de soja relacionados à redução dos riscos de tumores de mama, ovário e próstata, bem como na prevenção de osteoporose e sintomas de menopausa.

2 – Nitratos, nitrosaminas e nitritos (usados no processo de salgar, conservar em vinagre e defumar alimentos) que favorecem o desenvolvimento de câncer de esôfago e estômago.

3 – Sulforato, composto encontrado no brócolis, cujo consumo pode estar ligado ao aumento da ação de genes vinculados à proteção contra agentes tóxicos.

4 – A clorofila, pigmento que confere a cor verde aos vegetais, estimula produção de hemácias e reduz os riscos de câncer.

5 – Álcool é relacionado ao aumento do risco de câncer de boca, faringe, laringe e esôfago.

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Vantagens da Dieta do DNA
Compreender melhor a interação entre genes e nutrientes seria uma gratificante alternativa para os profissionais da saúde. A possibilidade de poder elaborar um plano dietético que atenda às necessidades de cada indivíduo permitindo também a prevenção de doenças, seria um grande avanço dentro da área da saúde.
Desvantagens da Dieta do DNA
Para o desenvolvimento de um cardápio personalizado, como o sugerido pela Dieta do DNA é necessário o detalhamento do perfil genético de cada pessoa, o que pode implicar em um levado custo, inviabilizando a adoção deste tipo de tratamento em indivíduos de baixa renda e em países em desenvolvimento.

Genoma-Post-01.07.2015-25– Informação Científica X Exploração Midiática

Tentar contar o número de dietas que existem por aí com certeza seria um trabalho árduo. Das mais radicais até as mais brandas, todas prometem um corpo perfeito com um plano alimentar diferenciado que garante emagrecimento rápido. Uma das novidades no “mercado fitness” é a dieta do perfil genético, que garante uma maior segurança para quem está na busca por um corpo ideal e por uma vida mais saudável. Laudo genético promete traçar desde as tendências comportamentais até os riscos patológicos de cada pessoa. O maior alerta dos especialistas é sobre os resultados que essas “dietas da moda” podem trazer, uma vez que o organismo de cada pessoa reage de forma diferente a cada dieta, o que pode comprometer a sua eficiência e até fazer mal à saúde. As mídias voltadas para essa área fitness alegam que “fazendo uma dieta baseada no perfil genético, além de perder peso com mais facilidade – de acordo com seu potencial genético -, o paciente também irá se sentir melhor“.

Genoma-Post-01.07.2015-26

O perfil genético é traçado a partir de exames e testes genéticos que compõem um relatório de 50 páginas com todos os dados, informações e variantes genéticas de cada paciente. Esse laudo serve como diretriz para a elaboração da dieta do paciente, cruzando os dados do relatório com estudos já existentes para que se possa gerar as recomendações nutricionais ideais para aquela pessoa. Além de tudo isso, o laudo que traça o perfil genético também mostra quais as patologias de maior risco para cada pessoa, e o planejamento alimentar vai considerar essas características também. “O laudo funciona como ‘alicerce’ para a formulação da dieta do paciente. Tendo as informações genéticas o médico pode formular o tipo de cardápio que achar mais adequado, as porcentagens de nutrientes e os tipos de gorduras mais benéficos. Os especialistas indicam que ela pode ser adotada pelo resto da vida, sempre tendo um acompanhamento profissional periódico. Eles recomendam que toda e qualquer dieta passe por modificações periodicamente para alinhar com a rotina de cada pessoa e abranger maior variedade de nutrientes. No final das contas, esta definitivamente não é uma dieta “comum”. Além de ajudar no emagrecimento, ter um plano alimentar com base nas suas características genéticas, também promete melhorar a saúde de uma forma geral. Afinal, você realmente é o que você come.

“O Valor final da vida depende mais da consciência e do poder de contemplação, que da mera sobrevivência.”Aristóteles

Conclusão e Nota do Blog

Nós da “Luz é Invencível” estamos trazendo mais informações e temas sobre o PGH para que as pessoas pensem, dialoguem e meditem sobre o assunto que é super atual e tem a ver com a mudança de paradigmas a que estamos sendo submetidos. Partindo da evidência de que o conhecimento do genoma humano e suas aplicações futuras repercutirão enormemente na sociedade humana, sabe-­se que muitas discussões terão lugar acerca do impacto das novas biotecnologias na vida e na natureza como um todo. Poucas questões repercutem de modo tão intenso na sociedade moderna, gerando tanta preocupação e debate quanto as possibilidades oferecidas pela engenharia genética e sua utilização sobre as células germinais humanas, células tronco e embriões e, especialmente a possibilidade de “duplicação” do ser humano. Se a questão da clonagem humana parece tão “tormentosa”, pelo menos, nunca se verificou tão evidente a urgência em se estabelecer instâncias de reflexão e discussão sobre a maneira pela qual os cientistas buscam a realização de seus intentos e, de que forma, aqueles que os financiam, pretendem aplicar as descobertas no atendimento às expectativas de uma sociedade ansiosa em evitar as doenças e os males que atingem a saúde ou que, invariavelmente, repercutem na qualidade de vida das pessoas. Reconhecendo que nem tudo que é cientificamente possível de ser realizado é, portanto, eticamente aceitável, tal linha de raciocínio nos conduz à reflexão que se consolidou a partir da necessidade em se reconhecer o valor ético da vida humana e recolher subsídios para conciliar o imperativo do desenvolvimento tecnológico e a proteção da vida e da qualidade de vida. O grande desafio enfrentado pela Bioética é conciliar o saber humanista com o saber científico na busca da felicidade do ser humano. Afinal parece ser este o objeto de desejo que buscamos da ciência: a realização de nossas expectativas de vida longa e saudável. A possibilidade da clonagem humana traz à discussão o papel da ciência e da engenharia genética, e as chances de que se possa estabelecer um domínio completo sobre o processo reprodutivo colocando-­se em primeira ordem os interesses individuais. Interesses esses passíveis de ser realizados por uma pequena parcela da população que pensa poder satisfazer seus desejos de vida eterna ou de continuidade através da “prole científicamente programada.” Portanto, sendo realidade que as fronteiras biológicas estão sendo derrubadas, deve-­se refletir sobre o papel do Direito na tentativa de evitar a utilização indiscriminada da ciência quando não fundida aos princípios éticos consensuais, oferecidos pela reflexão Bioética. Esta breve abordagem tem o intuito de oferecer alguns subsídios para o debate sobre tema tão complexo e sério quanto o da possibilidade da clonagem humana, a partir dos princípios constitucionais e de normativas internacionais que visam assegurar a proteção da vida humana e de suas características intrínsecas relacionadas à dignidade, inviolabilidade, e identidade do ser humano.

EQUIPE DA “LUZ É INVENCÍVEL”
(Nota Gilberto – O valor envolvido é de tal forma tão astronômico, que sempre haverá quem deseja ganhar em cima dos outros. A empresa Myriad Geneticstentou patentear dois genes referentes à câncer de mama e de ovário (BRCA1 e BRCA2) e teve como garota propaganda a Angeline Jolie. Consegue imaginar que uma empresa poderia ser dona do seu corpo?
Leia a 1ª Parte
Bibliografia para consulta
1 – Sequenciando o Genoma Humano – Lygia da Veiga Pereira
2 – O Projeto Genoma Humano – Mônica Teixeira
3 – Ética e Direito na Manipulação do Genoma Humano – Matilde Caroni Conti
4 – La Conquista del Genoma Humano – Kevin Davies
5 – Genética Médica – Tompson & Tompson – Robert Nussbaum
6 – Avanços da Biologia Celular e da Genética – Sean Carroll
7 – Genética e Evolução Humana – Cláudio Cunha
8 – Genética – Um Enfoque Conceitual – Benjamin Pierce
9 – DNA – Degredos e Mistérios – Solange Bento Farah
10 – DNA – Replication and Mutation – Raymond Leitner
11 – Genética Molecular Humana – Jack Pasternak
12 – The Hermetic Code in DNA – Colin Wilson 
Nota: Alguns livros estão disponíveis em nossa Biblioteca Virtual.
Divulgação: A Luz é Invencível
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