A ciência diz que plantas possuem Neurônios…

As flores não falam, mas ouvem…. Experimento realizado por biólogo da Universidade Federal de Viçosa (UFV) mostra que a interação de plantas com outros seres vivos pode ser mediada pelo som, como o das cigarras.

Andre Valle/ Programa de Pos-Graducao em Ecologia da UFV Raphael Jonas Cypriano concluiu que as plantas alteram sua forma e/ou funcionamento como resposta ao canto das cigarras

Pesquisa de mestrado pioneira desenvolvida no Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Viçosa, Minas Gerais, mostra que as plantas podem responder diferentemente a sons emitidos por insetos, tendo como base experimentos que usaram o efeito do som das cigarras em parâmetros de trocas gasosas na planta beijinho ou maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana). Os resultados, inéditos na área, mostram que a interação de plantas com outros seres vivos nas comunidades biológicas pode ser mediada pelo som.

O trabalho, intitulado “Plantas respondem ao som produzido por insetos? Uma abordagem ecológica de um fenômeno físico”, é parte da primeira dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFV (PPG Eco – UFV), defendida em dia 22 de julho. O autor, Raphael Jonas Cypriano, bacharel e licenciado em ciências biológicas, conta que o estudo segue a mesma linha de pesquisa realizada por ele durante sua monografia de conclusão de curso de graduação. Em 2010, ele pesquisou o efeito da música no tomateiro. Utilizando música instrumental, Cypriano mostrou, experimentalmente, que as plantas respondem em termos de aumento de fotossíntese (conversão da energia solar em compostos orgânicos) e crescimento.

“Mas não é todo som que pode aumentar a fotossíntese da planta. O som é composto por frequências diferentes, que podem estimular ou reduzir o crescimento dela”, afirma Cypriano. Para fazer o estudo de mestrado, ele conta que foi empregada metodologia nunca antes utilizada no mundo. Foram construídas 10 câmaras isoladas acusticamente. Cada uma delas constituída por duas caixas de madeira de tamanhos diferentes, que foram colocadas uma dentro da outra e separadas por uma camada de lã de vidro, material isolante acústico. Dentro da caixa interna havia fonte de luz e de som. O som usado foi o canto das cigarras da natureza, gravado por um engenheiro de som em um fragmento de mata denominado Reserva de Biologia, que fica dentro do câmpus da UFV.

O canto foi gravado no fim da tarde, horário de pico de emissão de som por esses insetos, durante 18 minutos contínuos. “O objetivo do experimento foi saber se a planta alterava sua morfologia (forma) e ou a sua fisiologia (funcionamento) como resposta ao canto das cigarras, o que poderia indicar que elas utilizavam esse som como uma fonte de informação sobre o ambiente físico”, diz Cypriano. O canto da cigarra foi escolhido, segundo ele, pelo fato de ser o de maior volume sonoro da natureza. “E esse som é produzido no início da primavera, quando a maior parte das plantas começa a alterar sua fisiologia para a floração e a frutificação”, observa.
Imagem relacionada

PERCEPÇÃO …
A orientadora do projeto, Flávia Maria da Silva Carmo, completa que “o som da cigarra é composto por uma banda de frequência de alta intensidade, contínua ao longo do tempo, e que, se as plantas podem reconhecer esse padrão de som, isso indica que elas também poderiam utilizá-lo como uma fonte acessória de informação sobre o ambiente. As plantas percebem alterações de temperatura, luminosidade e de chuva que ocorrem de uma estação do ano para outra e as utilizam, por exemplo, como indicação de o quanto o ambiente está favorável para sua reprodução. O canto das cigarras poderia ser mais uma forma de perceber o ambiente que as cerca”, observa.

O experimento ocorreu durante 10 dias, em que cinco plantas foram expostas ao som das cigarras, uma dentro de cada caixa acústica. Outras cinco plantas permaneceram dentro das caixas acústicas, mas sem exposição ao som. As exposições sonoras foram feitas diariamente, uma hora pela manhã e uma hora à tarde. “Analisamos, ao longo do tempo, a taxa fotossintética diária e verificamos que houve aumento significativo de fotossíntese nas plantas expostas ao som das cigarras em relação às plantas sem som”, observa Cypriano. Ele ressalta que a probabilidade estatística de o resultado obtido ter ocorrido devido a outros fatores ao acaso é de 0,2%.

Raízes e folhas mais fortes…

A medida da taxa de fotossíntese das plantas pesquisadas foi feita utilizando um analisador de gás no infravermelho (do inglês IRGA), um aparelho que analisa as alterações nas concentrações de água e gás carbônico em uma pequena câmara, dentro da qual está pinçada parte de uma folha, sob feixe de luz infravermelha. Depois de constatar que houve aumento na taxa de fotossíntese da planta exposta ao som contínuo da cigarra, Cypriano fez uma nova experiência. Ele pegou a mesma gravação com o som das cigarras e desorganizou o padrão, recortando pequenos pedaços e colando em outros locais da gravação, deixando o som todo misturado. Com esse som misturado, repetiu o experimento anterior, fazendo aplicações nas plantas dentro das câmaras acústicas, com e sem exposição ao som.

No segundo experimento o resultado foi contrário: houve redução da taxa de fotossíntese das plantas expostas ao som misturado em relação às plantas sem interferência sonora. “A conclusão é que as plantas podem reconhecer o som e a sequência temporal do canto das cigarras”, observa. Uma sutileza de alteração do som, diz, gerou resposta diferente nas plantas. “A duração do som pode influenciar também. Se eu colocar o som o dia inteiro, por exemplo, pode ser que ocorra estresse na planta”, afirma Cypriano.

O que obtivemos não foi uma resposta ao estímulo puramente físico do som, uma vez que os sons misturados têm características físicas iguais às do som original das cigarras. Foi uma resposta fisiológica, relacionada com o reconhecimento das diferenças entre a organização dos dois sons”, afirma a professora Flávia, orientadora do projeto. Segundo ela, ainda não é possível dizer qual é o mecanismo relacionado à resposta diferente da fotossíntese das plantas ao som original e ao som das cigarras misturado. “Mas está provado que alguma coisa diferente ocorre. Podemos afirmar que há uma alteração fisiológica nas plantas e isso indica que elas respondem às diferenças entre os sons. Mas não sabemos ainda em que nível de organização isso ocorre, como também não podemos afirmar que as plantas ouvem”, diz.

TOMATES …
Em 2010, quando trabalhava na monografia, Cypriano cultivou 10 tomateiros em casa de vegetação. Para fazer o experimento, ele transportava diariamente cinco plantas para salas distintas, com distância de mais de 30 metros, mas com o mesmo controle de luz e das condições ambientais. Durante 17 dias, das 7h às 11h, Cypriano aplicou o som do rock instrumental em uma das salas. Em seguida, analisou a taxa de fotossíntese e crescimento das plantas. “Houve aumento nos padrões de fotossíntese e de crescimento da folha e da raiz e no conteúdo de clorofila”, afirma. A diferença entre os resultados obtidos na monografia e na dissertação de mestrado é que, no segundo trabalho, existe a indicação de uma relação evolutiva entre os organismos, já que insetos e plantas têm coevoluído nos mesmos ambientes há milhões de anos, e na dissertação foi também evidenciado que há algum mecanismo de distinção entre os inúmeros sons que atingem as plantas em seus ambientes. “Mas muitas outras investigações ainda devem ser realizadas até que consigamos entender perfeitamente como isso ocorre”, observa Flávia.

A segunda parte da monografia de Cypriano foi de entrevista com 19 professores de biologia vegetal e 16 do Departamento de Física da UFV sobre o tema estudado. De todos os entrevistados, 46% não acreditam que a música pode influenciar na taxa de fotossíntese das plantas; 34% acreditam que a música pode influenciar e 20% não souberam responder ao questionamento. “Alguns afirmaram que a música não influencia porque as plantas não têm ouvidos, sistema  e nervos, e alguns falaram até que elas não têm emoções”, completa. Fonte

Saiba mais sobre o Reino vegetal

As plantas têm neurônios, são seres inteligentes….

Graças aos nossos amigos do Redes, o programa de Eduard Punset, pesquisadores incansáveis de diversas áreas do conhecimento científico buscam ampliar os limites do saber. Dentre esses que se questionam sobre quem somos e qual papel desempenhamos nesta sopa de universos, descobrimos Mancuso, que nos explica que as plantas, vistas pela câmera rápida, se comportam como se tivessem cérebro: elas têm neurônios, se comunicam mediante sinais químicos, tomam decisões, são altruístas e manipuladoras. Há cinco anos era impossível falar de comportamento das plantas, hoje já podemos começar a pensar em falar sobre sua inteligência… Pode ser que logo comecemos a falar de seus sentimentos.  A entrevista é publicada pelo jornal La Vanguardia, 29-12-2010. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Quais são as novidades?

As plantas são organismos inteligentes, mas que se movem e tomam decisões em um tempo mais longo que o homem.

Você já suspeitava.

Hoje sabemos que elas têm famílias e parentes e que reconhecem sua proximidade.  Comportam-se de maneira totalmente diferente se ao seu lado há parentes ou estranhos. Se forem parentes não competem: através das raízes, dividem o território de maneira equitativa.

Uma árvore pode voluntariamente mandar seiva a uma pequena planta?

Sim. As plantas necessitam de luz para viver, e para que uma semente chegue até a luz são necessários muitos anos; enquanto isso, são nutridas por árvores de sua mesma espécie.

Curioso.

Os cuidados parentais só ocorrem em animais muito evoluídos e é incrível que existam entre as plantas.

Então, elas se comunicam.

Sim, em uma selva todas as plantas estão em comunicação subterrânea através das raízes. E também fabricam moléculas voláteis que avisam as plantas distantes sobre o que está acontecendo.

Por exemplo?

Quando uma planta é atacada por um agente patogênico, imediatamente produz moléculas voláteis que podem viajar quilômetros e que avisam a todas as outras para que preparem suas defesas.

Quais defesas?

Produzem moléculas químicas que se tornam indigestas e podem ser muito agressivas. Há dez anos, em Botsuana introduziram em um grande parque 200 mil antílopes, que começaram a comer as acácias com intensidade. Após poucas semanas muitos morreram e ao final de seis meses morreram mais de 10 mil, e não sabia-se o porquê. Hoje sabemos que foram as plantas.

Uma grande predação.

Sim, e as plantas aumentaram a tal ponto a concentração de taninos em suas folhas, que se tornaram um veneno.

As plantas também tem empatia com outros seres?

É difícil dizer, mas uma coisa é certa: as plantas podem manipular os animais. Durante a polinização produzem néctar e outras substâncias para atrair os insetos. As orquídeas produzem flores que são muito parecidas com as fêmeas de alguns insetos, que, enganados, vão até elas. E há quem afirme que até o ser humano é manipulado pelas plantas.

Como assim?

Todas as drogas que o homem usa (café, tabaco, ópio, marijuana…) derivam das plantas, mas por que as plantas produzem uma substância que torna os humanos dependentes? Porque assim as propagamos. As plantas utilizam o homem como transporte. Há pesquisas sobre isso.

Incrível…

Caso amanhã as plantas do planeta desaparecessem, em um mês toda a vida se extinguiria, visto que não haveria nem comida, nem oxigênio. Todo o oxigênio que respiramos vem delas. Mas se nós desaparecêssemos, nada iria ocorrer. Somos dependentes das plantas, mas as plantas não são de nós. Quem é dependente está em uma situação inferior, ou não?

As plantas são muito mais sensíveis. Quando algo muda no ambiente, como elas não podem escapar, devem ser capazes de sentir com muita antecedência qualquer mínima mudança para se adaptarem.

E como percebem?

Cada ponta da raiz é capaz de perceber simultaneamente pelo menos quinze parâmetros físicos e químicos diferentes ( como temperatura, luz, gravidade, presença de nutrientes, oxigênio).

É sua grande descoberta, e é sua.

Em cada ponta das raízes existem células similares aos nossos neurônios e sua função é a mesma: comunicar os sinais mediante impulsos elétricos, igual ao nosso cérebro. Em uma planta pode haver milhões de pontas de raízes, cada uma com sua pequena comunidade celular; e trabalham em rede como a internet.

Encontrou o cérebro vegetal.

Sim, sua zona de cálculo. A questão é como medir sua inteligência. Mas de uma coisa estamos certos: são muito inteligentes, seu poder de resolver problemas de adaptação é grande. Hoje 99,6% de tudo o que está vivo sobre o planeta são plantas.

… E só conhecemos 10% delas.

E nessa porcentagem temos todo nossa alimentação e os remédios. O que os 90% restantes fazem?… Diariamente, centenas de espécies de vegetais desconhecidas se extinguem. Talvez possuam a capacidade de uma cura importante, nunca o saberemos.  Devemos proteger as plantas pela nossa sobrevivência.

O que sobre as plantas o emociona?

Alguns comportamentos são muito emocionantes. Todas as plantas dormem, acordam, buscam a luz com suas folhas; tem uma atividade similar a dos animais. Filmei o crescimento de alguns girassóis, e se vê de maneira muito clara como brincam entre eles.

Brincam?

Sim, estabelecem o comportamento típico da brincadeira que se vê em tantos animais. Pegamos uma dessas pequenas plantas e a fizemos crescer sozinha. Quando adulta, ela tinha problemas de comportamento: custava-lhe girar em busca do sol, faltava a ela a aprendizagem obtida através do jogo. Ver estas coisas é emocionante.

A Raiz da Inteligência das Plantas…

(The Root of Plant Intelligence)

Plantas se comportam de maneira surpreendentemente inteligente: lutam com predadores, maximizam oportunidades de encontrar alimento… Mas podemos pensar que as plantas também possuem sua forma de inteligência? O botânico Stefano Mancuso apresenta intrigantes evidências a favor.

Cientistas Alemães pesquisam “Funções Cerebrais” nas Raízes das Plantas

Plantas podem ser mais inteligentes do que parecem. Elas não têm cérebro como os animais, mas desempenham funções semelhantes às cerebrais, argumentam cientistas alemães.

Em conjunto com a equipe de pesquisadores de Stefano Mancuso, de Florença, na Itália, o cientista Frantisek Baluska, de Bonn, descobriu, em raízes vegetais, funções semelhantes às cerebrais. Estruturas citológicas, analisadas com auxílio de um microscópio, se assemelham a células cerebrais animais, afirmam os cientistas. “Esta pesquisa está, todavia, no começo”, salienta Baluska. Por isso, ele prefere não falar de um “cérebro vegetal”, mas usar a expressão “central de comando”.

Como bolsista da Fundação Humboldt, o eslovaco Frantisek Baluska veio pela primeira vez à Alemanha nos anos de 1990. Hoje, ele pesquisa como livre docente nas universidades de Bonn e Bratislava. Para explicar o conteúdo de sua pesquisa, Baluska mostra, na tela de seu computador, a representação esquemática da extremidade de uma raiz.

Células da Ponta da Raiz

As linhas desenhadas sobre a imagem se assemelham, na tela do computador de Baluska, a um circuito. O cientista chama a atenção para uma determinada zona: uma camada de células acima da extremidade da raiz. Ele explica que tais células têm propriedades semelhantes àquelas do cérebro animal. São células muito ativas, embora não cresçam nem desempenhem outras funções especiais.

Elas transportam ínfimas bolhinhas (vesículas), preenchidas com substâncias, de um lado a outro. Microfilamentos de proteínas (filamentos de actina) conduzem as vesículas de transporte através das células. Trata-se dos mesmos filamentos de proteínas do esqueleto celular, responsáveis pelo movimento dos músculos tanto nos animais quanto no ser humano.

“Algumas estruturas que encontramos remontam às sinapses, pontos de transmissão de estímulos entre as células nervosas”, explica Baluska. Ali são trabalhadas informações que influenciam diretamente o comportamento das raízes. As extremidades das raízes registram, por exemplo, a presença de luz ou de alguma substância tóxica. A informação é então transportada para a região anterior à extremidade. Ali, os dados são registrados e repassados para as zonas de crescimento da raiz. A partir deste momento, a raiz passa, a saber, em que direção ela deve crescer e reage a essa informação dentro de apenas algumas horas.

“Essa forma de trabalho pouco se diferencia do cérebro no reino animal”, afirma Baluska. O que acontece aqui no reino vegetal se assemelha a um sistema nervoso. Essa estrutura, segundo o cientista, executa as mesmas tarefas, embora apresente uma constituição bastante distinta. Essa interpretação de Baluska costuma suscitar críticas freqüentes de outros especialistas.

Interação com Mundo Exterior

O botânico Hubert Felle, da Universidade de Giessen, por exemplo, também estuda sinais em tecidos vegetais. No entanto, ele se expressa de forma bem mais cuidadosa que Baluska. Há muitos anos, Felle vem medindo sinais elétricos nas folhas de diversas espécies de plantas.

No entanto, ele prefere não chamar isso de sistema nervoso botânico ou de neurobiologia vegetal. Felle, contudo, está também convencido de que as plantas utilizam sinais elétricos para reagir ao mundo exterior. Assim, elas têm a possibilidade de reagir a inimigos, como pulgões ou larvas.

Felle desenvolveu aparelhos especialmente para a pesquisa, com os quais consegue medir a transmissão de sinais elétricos. Com uma lâmina, ele provoca um “ferimento” numa folha de feijão, o que desencadeia um fluxo de impulsos elétricos de folha para folha. Felle salienta que não se pode falar aqui, contudo, de “dor” ou de “sensações vegetais”.

Trata-se de sinais que possibilitam à planta uma reação de defesa. Segundo Felle, a velocidade desses sinais é, no entanto, relativamente baixa. Em um segundo, o sinal vegetal não consegue atingir nem mesmo um centímetro.

Nesse mesmo espaço de tempo, um sinal nervoso de um mamífero percorreria tranquilamente cem metros. Nas plantas, o envio de sinais é cerca de 10 mil vezes mais lento que nos animais.

Resumindo: as plantas não são mais burras que os animais, elas só vivem em outra esfera de tempo. Fonte

Cientistas alemães pesquisam “funções cerebrais” nas raízes das plantas…

Resultado de imagem para “funções cerebrais” nas raízes das plantas                                                                                  Plantas podem ser mais inteligentes do que parecem. Elas não têm cérebro como os animais, mas desempenham funções semelhantes às cerebrais, argumentam cientistas alemães.

Em conjunto com a equipe de pesquisadores de Stefano Mancuso, de Florença, na Itália, o cientista Frantisek Baluska, de Bonn, descobriu, em raízes vegetais, funções semelhantes às cerebrais. Estruturas citológicas, analisadas com auxílio de um microscópio, se assemelham a células cerebrais animais, afirmam os cientistas. “Esta pesquisa está, todavia, no começo”, salienta Baluska. Por isso, ele prefere não falar de um “cérebro vegetal”, mas usar a expressão “central de comando”.

Como bolsista da Fundação Humboldt, o eslovaco Frantisek Baluska veio pela primeira vez à Alemanha nos anos de 1990. Hoje, ele pesquisa como livre docente nas universidades de Bonn e Bratislava. Para explicar o conteúdo de sua pesquisa, Baluska mostra, na tela de seu computador, a representação esquemática da extremidade de uma raiz.

Células da ponta da raiz

As linhas desenhadas sobre a imagem se assemelham, na tela do computador de Baluska, a um circuito. O cientista chama a atenção para uma determinada zona: uma camada de células acima da extremidade da raiz. Ele explica que tais células têm propriedades semelhantes àquelas do cérebro animal. São células muito ativas, embora não cresçam nem desempenhem outras funções especiais.

Elas transportam ínfimas bolhinhas (vesículas), preenchidas com substâncias, de um lado a outro. Microfilamentos de proteínas (filamentos de actina) conduzem as vesículas de transporte através das células. Trata-se dos mesmos filamentos de proteínas do esqueleto celular, responsáveis pelo movimento dos músculos tanto nos animais quanto no ser humano.

”Algumas estruturas que encontramos remontam às sinapses, pontos de transmissão de estímulos entre as células nervosas”, explica Baluska. Ali são trabalhadas informações que influenciam diretamente o comportamento das raízes. As extremidades das raízes registram, por exemplo, a presença de luz ou de alguma substância tóxica. A informação é então transportada para a região anterior à extremidade. Ali, os dados são registrados e repassados para as zonas de crescimento da raiz. A partir deste momento, a raiz passa a saber em que direção ela deve crescer e reage a essa informação dentro de apenas algumas horas.

“Essa forma de trabalho pouco se diferencia do cérebro no reino animal”, afirma Baluska. O que acontece aqui no reino vegetal se assemelha a um sistema nervoso. Essa estrutura, segundo o cientista, executa as mesmas tarefas, embora apresente uma constituição bastante distinta. Essa interpretação de Baluska costuma suscitar críticas frequentes de outros especialistas.

Interação com mundo exterior

O botânico Hubert Felle, da Universidade de Giessen, por exemplo, também estuda sinais em tecidos vegetais. No entanto, ele se expressa de forma bem mais cuidadosa que Baluska. Há muitos anos, Felle vem medindo sinais elétricos nas folhas de diversas espécies de plantas. No entanto, ele prefere não chamar isso de sistema nervoso botânico ou de neurobiologia vegetal. Felle, contudo, está também convencido de que as plantas utilizam sinais elétricos para reagir ao mundo exterior. Assim, elas têm a possibilidade de reagir a inimigos, como pulgões ou larvas.

Felle desenvolveu aparelhos especialmente para a pesquisa, com os quais consegue medir a transmissão de sinais elétricos. Com uma lâmina, ele provoca um “ferimento” numa folha de feijão, o que desencadeia um fluxo de impulsos elétricos de folha para folha. Felle salienta que não se pode falar aqui, contudo, de “dor” ou de “sensações vegetais”.

Trata-se de sinais que possibilitam à planta uma reação de defesa. Segundo Felle, a velocidade desses sinais é, no entanto, relativamente baixa. Em um segundo, o sinal vegetal não consegue atingir nem mesmo um centímetro.

Nesse mesmo espaço de tempo, um sinal nervoso de um mamífero percorreria tranquilamente cem metros. Nas plantas, o envio de sinais é cerca de 10 mil vezes mais lento que nos animais. Resumindo: as plantas não são mais burras que os animais, elas só vivem em outra esfera de tempo.

Autor: Michael Lange
Revisão: Rodrigo Abdelmalack / Fonte

10 provas que demonstram que as plantas são mais inteligentes do que pensamos….

É fácil perceber que as plantas têm uma sensibilidade especial à luz e ao meio ambiente em geral -como silenciosas receptoras das emissões planetárias-. No entanto, dificilmente concebemos estas serviçais entidades como seres inteligentes. E ainda que usar este termo em relação às plantas, que carecem de um cérebro, sem dúvida gera polêmica e uma quase nula aceitação científica, talvez sua sensibilidade seja um tipo de inteligência não humana, entendida como uma capacidade de processar informação e adaptar-se às mudanças.

Neste post enumeramos uma lista de 10 provas que poderiam indicar esta espécie de inteligência botânica e que ao menos contribui para que fiquemos maravilhados ante o fato de compartilhar este planeta com seres tão extraordinários. Estas manifestações mostram que as plantas, em alguns aspectos, são seres capazes de processar e emitir informação de forma que pelo menos se equipare com os mais sensíveis dos humanos.

1. As plantas comunicam-se com os insetos

Algumas plantas evoluíram uma estratégia de sobrevivência equivalente a enviar um sinal de alerta. Quando as plantas de fumo são atacadas por lagartas soltam uma substância química no ar que atrai insetos predadores que gostam de alimentar-se das lagartas. Em alguns casos esses compostos fragrantes que seduzem quando percorremos um jardim, em realidade é a forma que as plantas pedem a ajuda de seus amigos insetos.

2. As plantas têm memória

Recentemente um grupo de botânicos do Instituto de Nebraska realizou uma série de experimentos através dos quais comprovaram que as plantas são capazes de armazenar informação, e remeter-se a ela. Em poucas palavras, que possuem memória ativa. E esta memória permite-lhes orientar seu desenvolvimento evolutivo, por exemplo, em temporadas de seca as plantas recordam os efeitos que lhes produziram estas circunstâncias de pouca água, e para a seguinte temporada são capazes de implementar certas medidas que as farão menos vulneráveis a dito meio.

Da mesma forma as plantas também parecem recordar certas mudanças na luz associadas com diferentes estações, que por sua vez estão vinculadas à exposição a patogênicos. Esta “memória” permite-lhes produzir químicos, só quando for o momento indicado, que lhes ajudam a se proteger de algumas pestes.

3. As plantas criam redes de comunicação

A verde “inteligência” das plantas faz com que não atraiam insetos, senão que também se ajudam entre si para evitar uma ameaça. Os morangos, os trevos e outras plantas crescem enviando mensageiros: ramos horizontais que eventualmente se integram capilarmente a sua estrutura. Estas sentinelas criam redes de comunicação entre plantas ligadas. Quando uma planta é atacada por um inseto, envia sinais às outras plantas advertindo os membros da rede para que possam gerar defesas que combatam os invasores -desde toxinas a químicos que produzem um sabor ruim para os herbívoros-.

4. As plantas crescem de maneira diversa em resposta ao som

O crescimento das plantas pode ser afetado substancialmente se alguém conversa com elas ou coloca algum som, ademais elas também produzem sons. A bióloga Monica Gagliano descobriu que o milho pode emitir e responder ao som.

Gagliano notou que as raízes das plantas de milho fazem uma série de cliques sonoros a uma frequência de 220 Hz. Esta bióloga cultivou milho hidropônico e gerou artificialmente som contínuo a 220 Hz. As plantas responderam inclinando se à fonte de som. Ainda não é conhecido o motivo pelo qual as plantas desenvolveram esta habilidade.

5. As plantas medem o tempo

As plantas não florescem à toa: registram a passagem do tempo. Já foram identificadas uma série de proteínas que respondem à quantidade de luz às que são expostas. Quando recebem suficiente luz em um ciclo de 24 horas, estas proteínas emitem um sinal que ativa o ciclo de florescimento.

6. As plantas sabem distinguir acima e abaixo

Não importa onde sejam colocadas, as plantas dirigirão suas raízes para baixo, para a terra. É muito provável que percebam a gravidade.

7. As plantas sabem quem é da família e quem não

Como sentindo o conforto de seus seres queridos, a planta Impatiens pallida dedica menos energia ao crescimento de suas raízes quando esta rodeada de seus familiares, com as quais compartilham nutrientes. Na presença de outras plantas não relacionadas geneticamente, estas plantas aceleram o crescimento tanto das raízes quanto das folhas.

8. As plantas alertam-se entre espécies da presença de um inimigo

A comunicativa planta do fumo não só se serve de insetos aliados, também recebe sinais de plantas como a Artemisa tridentata. Cientistas descobriram que quando o fumo é plantado próximo desta planta, consegue evitar ser devorado por herbívoros com maior frequência, via um sinal da Artemisa, que faz com que o fumo fabrique químicos preventivos que fazem suas folhas menos atraentes para seus predadores.

9. As plantas usam camuflagem

A Dormideira Mimosa pudica, em vez de usar químicos, dobra suas folhas para que estas aparentem pareçam menores e menos suculentas. Herbívoros que buscam uma refeição substanciosa vão buscá-la em outro local.

10.As plantas modificam seu tamanho em busca da luz

A bióloga Joanne Chory identificou uma proteína que faz com que as plantas cresçam mais quando estão confinadas à sombra. Esta proteína, PIF7, percebe a disposição da luz ao redor da planta e se a planta estiver na sombra, fará com que cresça mais para que possa encontrar o sol. Fonte

A incrível superação das plantas selvagens é o foco desse documentário. Através de imagens belíssimas, ‘A Vida das Plantas’ nos mostra como essas plantas conseguem sobreviver em territórios adversos. Apesar dos esforços do homem para destruí-las, muitas se desenvolvem em ambientes instáveis e imprevisíveis. Esse documentário revela os incríveis segredos que essas plantas escondem e que farão com que elas ainda prosperem durante muito tempo.

Nada é por acaso! Acredite!…

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