Osho, dicionário de pensamentos…

Absoluto…
Nunca use a palavra “absoluto”, evite-a o máximo possível, pois ela cria fanáticos. Ninguém possui uma verdade absoluta. A verdade é tão vasta que todas as verdades acabam sendo relativas! A palavra “absoluto” levou a humanidade ao sofrimento. Um muçulmano acredita que há uma verdade absoluta no Alcorão e se torna cego. Um cristão pensa que há uma verdade absoluta na bíblia. Um hindu penso que há uma verdade absoluta na Gita, e assim em diante. Como é possível que haja tantas verdades absolutas? Daí surgem conflitos, brigas, guerras, cruzadas religiosas, guerras santas: “ Matem os que estão dizendo que a verdade DELES é absoluta – a NOSSA verdade é absoluta!” Através dos séculos, mais mortes, mais estupros, mais saques têm sido feitos em nome da religião do que em nome de qualquer outra coisa. Qual o motivo? O motivo está na palavra “absoluto”.
Lembre-se sempre: aquilo que sabemos e tudo que ainda pudermos vir, a saber, está fadado a ser relativo.
Aceitação…
Durante apenas vinte e quatro horas, tente se dedicar à aceitação total, aconteça o que acontecer. Se alguém o insultar, aceite isso, não reaja, e veja o que acontece. Subitamente você irá sentir uma energia completamente nova fluindo dentro de você. Vamos supor que alguém o tenha o insultado você irá sentir-se fraco, perturbado, começará a pensar em como se vingar. Aquele que o insultou terá aprisionado você, e agora você irá andar em círculos. Durante dias, noites, meses, até mesmo anos, não será capaz de dormir, terá pesadelos. Há pessoas que podem desperdiçar uma vida inteira por uma besteira, apenas porque alguém as insultou.
Olhe para trás, para o seu passado, e examine suas lembranças. Você era ainda uma criança quando o professor o chamou de i***** na frente da turma, e até hoje você se lembra disso com ressentimento. Seu pai disse algo de que você nem se lembra mais, e mesmo seu pai já não se lembra. Sua mãe olhou para você de uma certa forma e desde então se abriu uma ferida. Ela ainda está aberta, viva; se alguém a tocar, você irá explodir. Não permita que essa ferida cresça. Não faça dessa ferida sua alma. Vá até as raízes, junte-se ao todo. Durante vinte e quatro horas, apenas vinte e quatro horas, tente não reagir e não rejeitar aquilo que acontecer.
Se alguém o empurrar e você cair no chão, apenas caia! Depois levante-se e vá em frente. Não faça nada a respeito. Se alguém o agredir, curve a cabeça e aceite isso com gratidão. Vá em frente, não faça nada durante vinte e quatro horas e você irá descobrir um fluxo de energia que talvez nunca tenha sentido, uma nova vitalidade, uma vez que a tiver experimentado, sua vida será diferente. Então você vai rir de todas as coisas tolas que tem feito, de todos os ressentimentos, reações e vinganças com as quais estava se destruindo.
Ninguém mais pode destruir você a não ser você mesmo. Ninguém mais pode salvá-lo exceto você mesmo. Você é seu próprio Judas, seu próprio Jesus.

Amanhã…
Não há muito tempo, você não tem muito tempo. Não deixe nada para depois: o momento é agora. Não diga “amanhã” – o amanhã é uma miragem. Esteja alerta agora, esteja desperto agora, neste momento, e haverá serenidade e calma. E subitamente você estará relaxado, a fonte será contatada, e você terá retornado ao “lar”.
Esse é o lar pelo qual você tem procurado durante muitas vidas. Mas sua própria metodologia de pesquisa estava errada. Você fez disso um objetivo, mas não é um objetivo, é a fonte.

Apegar-se…
Nos apegamos às coisas muito facilmente, nos apegamos a tudo. A vida é um fluxo, nada permanece o mesmo, mas esperamos e desejamos que as coisas continuem as mesmas. Há muitas frustrações no mundo porque nenhuma de nossas expectativas é satisfeita. Cada expectativa traz consigo um desastre.
Estar ligado significa apegar-se a algo, desejar que aquilo permaneça o mesmo para sempre. Isso é pedir o impossível. Uma pessoa jovem deseja permanecer jovem para sempre, e isso é impossível. Mais cedo ou mais tarde ela irá envelhecer. E, com isso, a velhice, em vez de trazer alegria, trará sofrimento. Do contrário a velhice, seria um dos pontos mais altos da sua vida. Deveria ser um ápice, um cume coberto por neve, mas em vez disso é um buraco negro. E se torna um buraco negro porque estamos apegados à juventude. Nos apegamos ao corpo, mas o corpo precisa partir um dia. Viva nele, amo-e, respeite-o, cuide dele, mas não se apegue a ele. Lembre-se de que é um caravanserai, a estadia de uma noite. Pela manhã, teremos que partir.

Bebês…
Toda criança nasce em harmonia. É por isso que as crianças são elas. Você já viu algum bebê feio? Isso não existe. Todos os bebês são belos, mas nem todos os adultos são belos. Então, em algum lugar, algo deve ter saído errado. Os bebês têm uma graciosidade, uma enorme elegância, que não tem nada a ver com nenhum tipo de “prática”, porque eles não tiveram tempo para praticar nada. Vêm ao mundo sem qualquer ensaio. Eles apenas estão ali: felizes, silenciosos, harmoniosos. Há uma enorme graciosidade em torno deles, como se toda a existência os protegesse. Contudo, aos poucos aprendem as regras e condutas do adulto e algo muda para pior. É então que a feiúra aparece. Os belos olhos podem tornar-se horríveis. Uma bela face pode tornar-se criminosa; um belo corpo pode perder toda a sua graciosidade. Uma bela inteligência… Toda criança nasce inteligente, é assim que as coisas são. Uma criança inteligente pode se tornar burra, medíocre. Essas são as realizações humanas.
Aquilo que é errado é humano, enquanto o certo é divino.

Busca…
A vida é uma busca e não uma pergunta. É um mistério e não um problema. A diferença entre os dois é grande. Um problema precisa ser resolvido, pode ser resolvido, deve ser resolvido, mas um mistério é insolúvel. Um mistério deve ser vivido, experenciado. Uma pergunta precisa ser resolvida para que ela desapareça. Mas, se você encontrar um mistério, tem que se dissolver nele. O mistério permanece, você desaparece. É um fenômeno completamente diferente. Na filosofia o problema desaparece, mas você permanece. Na religiosidade o mistério permanece, mas você desaparece, evapora.
O ego está muito interessado em perguntas e teme os mistérios. As perguntas emergem do ego. Ele brinca com as indagações, tenta encontrar respostas, e cada resposta, por sua vez, traz novas perguntas. É um processo sem fim, e é por isso que a filosofia nunca chegou a uma conclusão.
Perguntas são alimentos para a mente.
Toda criança nasce com um desejo de buscar a verdade. Não é algo que ela vá aprender ou adotar em um estágio mais avançado. A verdade significa apenas: “Eu sou, mas não sei quem sou”. E a pergunta é natural: “Preciso conhecer a realidade de meu ser”. Não é mera curiosidade
A busca pela verdade é a busca pele realidade de seu ser.

Caminho…
Um dos caminhos para a verdade – o caminho do auto-aperfeiçoamento – está ligado ao tempo e à memória. Na tem nenhuma relação com a eternidade. Mas a verdade é eternidade.
O segundo caminho para a verdade, o caminho da iluminação, sempre foi chamado pelos mestres zen de “caminho sem caminho” porque não se parece nem um pouco com um caminho. Não pode se assemelhar a um caminho, mas, apenas para que possamos nos comunicar, iremos chamá-lo arbitrariamente de “o segundo caminho”. O segundo caminho não faz parte do tempo, faz parte da eternidade. Então ele acontece instantaneamente, acontece no presente. Você não pode desejá-lo, não pode cobiçá-lo. Dizem que no caminho da iluminação é como um pássaro voando no céu: não deixa pegadas atrás de is, pois ninguém pode seguir as pegadas de um pássaro. Todo pássaro terá que criar suas próprias pegadas, mas elas desaparecem imediatamente enquanto o pássaro continua a voar.

Chakras…
O que os iogues chamam de “chakras”? os vórtices de energia, os redemoinhos de energia, os sete chakras. Bauls os chama de “os sete lótus”.
Temos, portanto, sete chakras. Em cada chakra você é uma pessoa diferente. No primeiro chakra, ocentro do sexo, você é apenas um animal. Um pouco acima dos animais, mas não muito longe disso, está no limite. Abaixo de você se encontra o mundo animal, acima está o mundo da humanidade, e você está exatamente no limite. É por isso que as religiões se opõem tanto ao sexo, porque ele é o ponto mais alto para os animais e o ponto mais baixo para os homens. Se você permanecer centrado no sexo, será apenas um animal mais elevado, nada além disso.
Quando a energia se move para o segundo centro, você se torna o homem número dois. Novas qualidades são desenvolvidas. Se a energia se mover para o terceiro centro, novamente outras dimensões se abrirão para você. Finalmente, quando a energia atingir o último centro, o sahasrar, você terá transcendido a humanidade: não será mais um homem. E a menos que o homem possa transcender a humanidade, ele não poderá encontrar o ponto mais elevado. Todo homem deve transcender a si mesmo. Somente então ele estará realizado.

Compaixão…
Apenas a compaixão é terapêutica, porque tudo que é doentio nos homens se deve à falta de amor. Tudo que há de errado com os homens está de alguma forma associado a essa falta de amor. O sofrimento vem de não ter sido capaz de amar ou de não ter sido capaz de ser amado. Não ter siso capaz de compartilhar seu ser. É essa a dor, é isso que gera vários complexos dentro de nós.
Essas feridas internas podem se manifestar de várias formas: podem tornar-se doenças físicas ou distúrbios psíquicos, mas, lá no fundo, o sofrimento se deve à falta de amor. Assim como o alimento é necessário para o corpo, o amor é necessário para a alma. O corpo não pode sobreviver sem alimento, e a alma não pode sobreviver sem amor.

Conselhos…
Ouça-os, mas não os siga. Ouça-os bem, mas siga seus próprios insights, e não os conselhos dos outros. Ainda assim, ouça de forma meditativa, procurando entender o que estão lhe dizendo. Pode ser que sejam, de fato, pessoas bem-intencionadas, mas, se você começar a seguir algo cegamente, nunca irá desenvolver sua própria inteligência. Continuará dependente de muletas, estará sempre esperando que os outros lhe digam o que fazer e o que não fazer. Você irá sempre depender de líderes, o que não é muito saudável.
As pessoas são muito experientes e, se elas estiverem dispostas a compartilhar suas experiências, seria tolo de sua parte não ouvi-las. Ao compartilhar as experiências dos outros, você poderá ter grandes insights. Isso irá ajudá-lo a tornar-se mais perceptivo, mas nunca siga cegamente o que lhe disserem.
As pessoas tomam as coisas literalmente e, então, tornam-se cegas. Se há alguém para lhe dar tudo o que você precisa, qual a necessidade de ter seus próprios olhos? E, quando há alguém que mastiga tudo para você, qual a necessidade de mastigar por sua própria conta? Lentamente você se tornará cada vez mais fraco, mais empobrecido, cada vez mais faminto.
Cometa erros quanto puder, mas não cometa o mesmo erro duas vezes, pois isso seria burrice. Cometa sempre novos erros, invente novos erros, e você estará aprendendo o tempo todo, sua inteligência crescerá o tempo todo.
Sua inteligência precisa ser aguçada. Um verdadeiro amigo o ajuda a aguçar sua inteligência. Ele não lhe dará conselhos resolvidos e acabados porque seriam inúteis. Aquilo que é verdadeiro hoje pode não mais ser verdadeiro amanhã, e o que está certo em uma situação pode estar errado em outra.

Culpa…
A culpa é o segredo de todas as “religiões oficiais”. Criam culpa nas pessoas, fazem com que se sintam mal consigo mesmas. Não deixam que conduzam suas prprias vidas, fazem com que se sintam condenadas. Deixam as pessoas sentirem, lá no fundo, que são todas feias, não possuem valor algum, são pó – e então é claro que elas estarão prontas para serem guiadas por qualquer tolo. Estarão mais do que prontas para tornarem-se dependentes, na esperança de que “alguém nos leve à mais elevada luz”. Essas são as pessoas que têm explorado vocês durante séculos.
Os homens se encontram em tamanho estado de inconsciência que, o que quer que façam, só aumentam seu sofrimento e o sofrimento dos outros. Continuam culpando o destino, continuam culpando a natureza, continuam culpando a sociedade: estão sempre culpando os outros, mas nunca a si mesmos.
A parir do momento em que você reunir coragem suficiente para culpar a si mesmo, a partir do momento em que aceitar a responsabilidade daquilo que você é, um raio de luz entrará em você. Você estará, então, no caminho da transformação interior.

Cura…
A palavra healing (cura), em inglês, vem da mesma raiz que a palvra whole (todo, inteiro). Whole, healing, holy – todo, saúde, cura e sagrado – vêm da mesma raiz em inglês.
Ser curado (healed) significa ser unido ao todo. Estar doente significa estar desconectado do todo. Uma pessoa doente é alguém que desenvolveu barreiras entre si mesma e o todo, então algo está desconectado. A função do healer é reconectá-lo. Mas quando eu digo que a função do healer é reconectá-lo, não quero dizer que ele tenha que fazer algo. O healer é apenas uma função. Healing é como respirar, é algo natural. Se alguém está doente, significa que essa pessoa perdeu a capacidade de curar-se sozinha. Não consegue mais perceber a fonte de sua própria cura. O healer existe apenas para ajudar essa pessoa a se reconectar. Essa fonte é a mesma da qual o healer extrai sua própria energia, mas aquele que está doente não consegue mais entender a linguagem da fonte. O healer está conectado ao todo, então ele pode tornar-se uma via de passagem. O healer toca o corpo da pessoa doente e, assim, estabelece um vínculo entre a pessoa e a fonte. O paciente não está mais conectado diretamente com a fonte; então o healer faz com que esteja indiretamente conectado. Uma vez que a energia começar a fluir, ele está curado.

Desidentificação…
Se houver um pensamento se movendo em sua mente, apenas observe-o, e subitamente você verá que o pensamento está lá, você está aqui e não sobrou ponte alguma. Se você não observar, irá identificar-se com o pensamento, você irá tornar-se o pensamento. Observe-o, e você não será mais o pensamento. A mente possui você, porque você se esqueceu como observar. Aprenda. Olhe para uma roseira, observe-a. Ou então as estrelas, ou as pessoas passando na estrada, sente na margem e observe. E então, lentamente, feche seus olhos e veja o tráfego interior em movimento – milhares de pensamentos, desejos, sonhos, todos passando. Dentro de você é sempre hora do rush.
Apenas observe, da mesma forma como alguém observa um rio fluindo, sentado na margem.
Enquanto você estiver observando, irá começar a perceber que você não é isso.
A mente tem sido identificada com “isso”. A não-mente tem sido desidentificada de “isso”. Não seja uma mente, porque na verdade você não é uma mente. Quem é você, então? Você é a consciência. É essa percepção, a testemunha, essa observação pura, essa qualidade similar à de um espelho, que reflete tudo mas nunca se identifica com algo.

Despertar…
É apenas uma questão de lembrar que você também pode despertar. Nada mais é necessário, nenhum outro esforço, nem técnica, nem método nem caminho. Apenas uma lembrança de que “Isso é meu sonho”. Uma lembrança de que “Eu decidi sonhá-lo – e, a partir do momento em que eu decidir não mais sonhá-lo, irei despertar”. Sem a sua cooperação, o sonho se anula.
Se você estiver sofrendo, é você que está criando esse sofrimento. E ninguém mais pode tirar você do sofrimento, a menos que você decida que não irá mais criá-lo. Você construiu seu inferno. Tudo aquilo que você se tornar, será sua própria criação. Em um único momento você pode despertar.

Deus…
Essa existência nunca foi criada. Toda a discussão em torno disso está absolutamente errada. Todas as religiões pensam que tudo precisa ser criado, do contrário de onde as coisa viriam?
“Mas as religiões nunca pensam: De onde vem Deus?”. Se Deus criou o mundo, de onde ele veio? Quem o criou? E se Deus pode ser removido, então qual o sentido de trabalhar com uma hipótese desnecessária?
Esse é um princípio básico de toda a pesquisa científica: não use hipóteses desnecessárias. Trabalhe sempre com o mínimo de hipóteses. Se Deus precisa ser criado por outro Deus, ainda maior, você irá chegar a um absurdo, àquilo que, em lógica, se chama regressum infinitum. Você irá regredir infinitamente e não irá encontrar a resposta. A pergunta continuará exatamente no mesmo ponto em que estava: “Quem criou o Deus infinito?”
A existência nos basta. Por isso eu falo sobre o divino, mas não sobre Deus. Deus é uma invenção dos sacerdotes, dos padres. Deus é uma ficção para consolar você, para fazer com que você tenha medo, se sinta culpado. Todas as religiões dependem de sua culpa, de seu medo, mas isso não é uma religiosidade autêntica.A religiosidade autêntica o tornará destemido, sem medos: não um escravo, não uma marionete nas mãos de um Deus desconhecido que é uma ficção.

Divino…
Não há Deus, mas existe o divino. É uma qualidade, uma fragrância. Você pode experimentá-lo, mas não pode vê-la. E quando você a experimenta, não é algo externo,, como um objeto, é apenas algo aqui dentro, no coração de seu coração. É sua subjetividade, sua consciência.
Então, não se trata de crenças, e também não se trata de visões.
Há um divino, mas não há Deus. Sempre que eu uso a palavra “Deus”, quero dizer simplesmente “o divino”, lembre-se disso. Traduza sempre como divino. Há uma qualidade de divino na existência., mas não há Deus.
Ainda assim as pessoas querem um Deus, e não o divino. Elas não estão interessadas no divino. É por isso que as pessoas como Buda, nunca tiveram muita influencia. Buda e toda a sua religião desapareceram da Índia, onde Buda nasceu. Umas das razoes principais era que ele enfatizava i divino, e não Deus.
Se o divino está no centro, a tarefa se torna difícil. Você tem que crescer para tornar-se divino, não é algo que já esteja pronto e que possa “ganhar”. Não é algo para o qual você possa rezar, não é algo para o qual possa pedir alguma coisa. Não vem pronto, é preciso que seja criado no mais profundo núcleo de seu ser. É como o amor, ele precisa florescer em você, e você tem que libertar sua fragrância. Você tem que se tornar divino, e somente então haverá Deus.

Escapismo…
A vida precisa ser entendida como uma oportunidade para tornar-se mais consciente, mais cristalizado, mais centrado e enraizado. Se você foge, é como se uma semente fugisse do solo e se escondesse em uma caverna segura, onde não há solo, apenas pedras. A semente esta segura. No solo, a semente precisa morrer, desaparecer. Quando a semente desaparece, a planta brota. É então que os perigos começam. Para a semente não havia perigo: nenhum animal a teria comido, nenhuma criança teria partido. Agora há uma bela haste verdejante, e todo mundo parece estar contra ela: o vento vem e tenta desenraizá-la, as nuvens e os trovoes surgem, e a pequena semente tem que lutar sozinha contra todos. Há crianças, animais e jardineiros, portanto milhões de problemas a serem enfrentados. A semente estava vivendo confortavelmente, em paz: nenhum vento, nenhum solo, nenhum animal, – essas coisas não eram problemas. Estava completamente fechada em si mesma: a semente estava protegida, segura.
Se você for morar em uma caverna no Himalaia, você irá se tornar a semente. Não florescerá.
Os ventos não estão contra você: eles lhe dão uma oportunidade, apresentam um desafio, permitem que você aprofunde suas raízes. Dizem a você que defenda o seu terreno e brigue por ele. Isso tornará você mais forte.

Espiritualidade…
A religião significa a circunferência, as bordas, e a espiritualidade, o centro. Uma religião possui um pouco de espiritualidade, mas apenas um pouco: um vago fulgor, algo como as estrelas ou a lua cheia se refletindo no lago. A espiritualidade é o que há de verdadeiro, a religiosidade é apenas um subproduto.
E um dos grandes males que se abateu sobre a humanidade foi terem dito às pessoas para serem religiosas e não espiritualizadas. Portanto, elas começam a decorar sua circunferência, elas cultivam um caráter. O caráter é sua circunferência. Ao pintar seu perímetro, o centro não muda. Mas, se você mudar o centro, o perímetro sofre uma transformação automática.
Mude o centro – isso é espiritualidade. A espiritualidade é uma revolução interior. Ela certamente afeta seu comportamento, mas apenas como uma conseqüência. Como você está mais alerta, mais perceptivo, naturalmente suas ações são diferentes, seu comportamento possui uma outra qualidade, uma beleza diferente, mas o contrário não é verdadeiro.
A espiritualidade pertence a seu ser essencial, enquanto a realidade só pertence àquilo que é externo: ações, comportamento, moralidade. A religião é formal: ir à igreja todo domingo é uma atividade social. A igreja nada mais é senão um tipo de clube, como o Rotary ou o Lions, e existem muitos clubes. A igreja também é um clube, mas com pretensões religiosas.
A pessoa espiritualizada não pertence a nenhum credo, nenhum dogma. Ela não pode pertencer a nenhuma igreja, seja hindu, cristã ou muçulmana… é impossível para ela pertencer a uma igreja.
A espiritualidade é única, as religiões são muitas.
Insisto na transformação interior. Não ensino religião, ensino espiritualidade. A espiritualidade é rebelião, enquanto a religião é ortodoxia. A espiritualidade é individualidade, enquanto a religião é permanecer dentro da psicologia das massas. A religião faz de você um carneiro, e a espiritualidade é o rugir do leão.

Esoterismo…
Os ensinamentos esotéricos são apenas para os tolos. Os tolos se interessam muito por qualquer coisa que não possam entender. A mente de um tolo pensa que, se ele não pode entender algo, deve ser muito misterioso, muito superior, deve pertencer aos mais altos planos da existência.
Uma pessoa verdadeiramente religiosa não tem aplicação para as besteiras sem sentido do esoterismo, como a teosofia, a antroposofia e todos os Lobsang Rampas existentes por aí, além de todo o tipo de besteiras que continua sendo publicado. Claro que as coisas devem estar preenchendo as necessidades das pessoas. Assim como há aqueles que gostam de romances policiais, há outros que se interessam pelo conhecimento esotérico.
Não há nada esotérico na existência. A existência está exposta, nua: nada se encontra escondido.
A espiritualidade é uma experiência, não um conhecimento. Você não pode reduzi-lo a isso. É sempre algo a ser aprendido, mas nunca conhecimento. É um insight que não pode ser reduzido a palavras. Você não pode colocá-las em teorias, em sistemas de pensamento, isso é impossível. E aqueles que tentam fazê-lo não entendem nada desse assunto. Somente por não entenderem é que pode reduzir isso a “conhecimento”. É um fenômeno estranho: os que sabem nunca tentam reduzir seu saber a um conhecimento estático, mas aqueles que não sabem sentem-se completamente livres. Podem criar qualquer tipo de conhecimento, é pura invenção.
Todo conhecimento espiritual é uma invenção da mente. O verdadeiro saber espiritual se dá somente quando a mente é deixada de lado, quando se está em um estado de não-mente.

Eu…
As pessoas só têm egos. O ego é um falso eu. Como não percebemos o verdadeiro eu, criamos o ego: é uma ilusão. Já que não podemos viver sem o centro, temos que inventar um falso centro.
Há duas possibilidades: podemos conhecer o verdadeiro centro ou criar um falso centro. A sociedade estimula o falso centro porque uma pessoa falsa pode ser facilmente dominada. Ele não apenas pode ser facilmente dominada como busca essa dominação. Ela está constantemente à procura de uma pessoa para dominá-la. Sem ser dominada, ela não se sente bem, porque apenas quando está sob o domínio de outra pessoa ela terá um certo sentimento de “ser eu”. Ao obedecer às ordens de alguém, ela tem uma sensação de valor. Seu valor, sua vida, tudo isso é emprestado. Ela não possui um sentido para sua vida em si. Outra pessoa precisa lhe dar esse significado.
Ela se torna parte de uma igreja, então sente-se bem. Agora é um cristão, e a cristandade lhe dá ao menos uma sensação de significado. Ou então ela se torna uma comunista, e o grupo das comunistas faz com que sinta que está realizando algo importante. Ela não pode ficar sozinha, e essa é estratégia básica de uma sociedade: não permitir que uma pessoa caminhe com suas próprias pernas. A sociedade tolhe você, fazendo com que seja dependente de muletas desde o inicio. E a melhor maneira de torná-lo dependente é não permitir que você perceba o seu verdadeiro eu.
Em vez do verdadeiro eu, lhe dão um brinquedo chamado ego. A sociedade apóia o ego enormemente. Ela elogia e nutre o ego. Se você seguir os ditames da sociedade de todas as formas possíveis, será respeitado, e o respeito nada mais do que alimento para o ego. Se você não seguir esses ditames, perderá respeito. Isso é uma punição para seu ego, mantendo-o faminto. Além disso, é muito difícil viver sem um centro, então as pessoas estão sempre prontas a atender todos os tipos de demandas, sejam racionais ou irracionais.
Eu me esforço para ajudá-lo a deixar de lado essa falsa entidade chamada de ego. Deixar isso de lado é metade do trabalho. E a outra metade é mais fácil: fazê-lo perceber seu verdadeiro eu. Uma vez que o falso seja compreendido como falso, não é muito difícil ver o verdadeiro como sendo verdadeiro.

Evolução…
A evolução não foi uma descoberta de Charles Darwin. A evolução é um conceito atual descoberto pelos místicos, e no Oriente eles foram realmente a fundo. Charles Darwin ficou apenas na superfície: acreditava que os homens descendiam dos macacos, e foi motivo de risadas em todo mundo. Essa idéia parece estranha, mas a dos místicos não parece tão estranha assim. Os místicos não dizem que os homens descendem dos macacos, mas que a essência da consciência passou por muitas formas e que passou também pela forma de macacos.

Fanatismo…
Apenas os homens que possuem duvidas dentro de si mesmos se tornam fanáticos. Um hindu fanático é aquele que não acredita realmente que o hinduísmo está certo. Um cristão fanático é aquele que tem dúvidas sobre a cristandade. Essas pessoas se tornam fanáticas, agressivas, não para provar algo aos outros, mas para provar a si mesmas que realmente acreditam naquilo em que acreditam. Precisam fazer isso constantemente.
Quando você de fato sabe algo, não se torna um fanático.

Fé…
A fé é apenas para os cegos. A confiança é para aqueles que experimentam algo mais profundo. Os que têm fé são os seguidores. Não quero que nenhum dos meus leitores tenha crenças ou fé no que digo. Desejo que confiem em si mesmos.Essa distinção precisa ser lembrada. A crença é sempre dirigida para a ideologia de outra pessoa, e a fé se dirige à personalidade de outra pessoa.A fé não é a virtude nem uma grande contribuição para a evolução da humanidade. A fé é o maior obstáculo na busca de uma pessoa pela verdade. Antes que você sai à procura de algo, já terá recebido uma fé suja de segunda mão, e terão lhe dito que isso já é o bastante. Você não tem que procurar, Jesus já procurou por você, Buda já procurou por você.A fé significa esconder a própria ignorância, algo muito mais fácil de fazer. A verdade necessita de uma grande energia, uma grande urgência e um envolvimento total na busca.A verdade está dentro de você, a fé vem de fora. Qualquer coisa que venha de fora não irá ajudá-lo.

Felicidade…
Sempre olhe para as coisas de forma que você também seja capaz encontrar algo de bom que possa lhe trazer felicidade. A vida é curta, e a felicidade é muito difícil. Não perca nenhuma oportunidade de ser feliz.
Em geral fazemos exatamente o oposto: não perdemos nenhuma oportunidade de ficarmos infelizes.
Estar feliz é um grande talento. É necessária uma grande inteligência, uma grande percepção, uma quase genialidade para estar feliz. Estar infeliz é trivial. Mesmo pessoas idiotas podem ser infelizes. Não significa nada. É muito fácil ser infeliz, porque a mente vive através da infelicidade. Se você permanecer infeliz por um tempo longo, a mente começa a desaparecer, porque não há uma conexão entre a felicidade e a mente. A felicidade é algo que a transcende.

Feminino…
Respeite a feminilidade – ela possui qualidades mais elevadas, certamente mais elevadas que as da masculinidade. Mas a mente chauvinista masculina não pode aceitar isso. Por conta de um complexo de inferioridade, a mente masculina tentou reprimir o feminino e, como o masculino é agressivo, violento, destrutivo, ela pôde de fato reprimir. O feminino é receptivo, propenso à entrega: sabe como se desapegar, sabe como ajustar-se, então ajustou-se até mesmo à atitude chauvinista masculina.
Todo o passado da humanidade é feio, e o motivo é que não permitimos que as qualidades femininas florescessem.
Então torne-se cada vez mais receptivo, sensível, criativo, amoroso, dançante, cantante – e, dessa forma você irá se tornar cada vez mais meditativo. E quanto mais meditativo, mais irá descobrir qualidades femininas florescendo em você.

Frustração…
A frustração surge como uma sombra do sucesso. Nos países pobres do Oriente não há frustração porque não há sucesso, então a sombra não está presente. Nos países ricos do Ocidente há uma grande frustração porque o sucesso foi atingido: tudo aquilo que as pessoas sempre precisaram está disponível, mas ainda assim não há contentamento. O sucesso fracassou, é esta a frustração.
No Ocidente, devido à frustração, as pessoas têm se tornado cada vez mais interessadas na meditação, na oração, na contemplação. Isso é parte de uma frustração. Observei que uma pessoa começa a meditar seriamente quando há apenas duas possibilidades: suicídio ou transformação.
Quando, no mundo externo, parece haver apenas a poção do suicídio e nada mais, então a pessoa se vira para dentro. Apenas nesse ponto, no auge da frustração, ela se entrega. Essa entrega não pode ser em uma pessoa indiferente. É algo que só acontece quando as coisas estão realmente difíceis e não há outro caminho para fora, pois todos os caminhos se revelaram falsos. Quando você tiver se frustrado completamente com o mundo externo e todos os percursos externos, quando qualquer extroversão parecer sem sentido, somente neste momento a vontade, o desejo de uma peregrinação interior irá seguir.

Gnóstico…
Essa é uma bela palavra. “Gnóstico” significa alguém que conhece, pois gnosis significa “conhecimento”. “Agnóstico” significa alguém que não conhece. Agnóstico é aquele que sabe uma única coisa: que ele nada sabe. Ser um agnóstico – esse é o princípio de uma verdadeira religião.Não tenha crenças, mas não perca a crença. Não seja um hindu, não seja um jainista, não seja um cristão. Do contrário, você irá continuar tateando na escuridão para sempre. A menos que deixe de lado todas as ideologias, todas as filosofias, todas as religiões, todos os sistemas de pensamento e penetre no vazio, sem nada em sua mão, sem idéias prévias… Como você pode ter uma idéia de Deus? Você não o conheceu. Apenas vá em frente, com um grande desejo de conhecer, mas sem ideais preconcebidas de conhecimento. Vá com um desejo intenso de conhecer, com um sentimento de profundo amor para conhecer o que está lá, mas não leve junto idéias que lhe foram passadas por outras pessoas. Deixe-as de fora. Essa é a maior barreira para os que buscam trilhar o caminho da verdade.

Gurus…
Gurus e discípulos são uma criação da mente. Como sua mente precisa de gurus, há gurus. Você os cria. Porque deseja que o ensinem, há professores. Você precisa deles. Se você gosta disso, vá fundo. Caso contrário, esqueça.
A palavra “guru” tornou-se quase uma condenação. No entanto, o seu significado original é belo: “alguém que é mais denso, cristalizado, aquele que possui mais peso”. No idioma hindi, a força gravitacional é chamada de guruthwa karshan. Assim como a Terra puxa as coisas em direção ao seu centro por meio da força gravitacional, as pessoas gravitam em direção ao guru, sem que ele faça nada. A Terra não está fazendo nada para puxar você: é apenas arte de sua natureza que qualquer coisa que esteja dentro de seu campo, de cerca de trezentos quilômetros, seja puxada em sua direção.
“Guru” significa “aquele que possui peso”, que é centrado, enraizado, e que possui uma força gravitacional. Mas esse significado original se perdeu. Em especial, desde que começaram a surgir gurus indianos no Ocidente, a palavra tornou-se quase um xingamento. E faz sentido que tenha se tornado assim, porque as pessoas que vieram para o Ocidente não eram gurus de forma alguma. Vieram para o Ocidente para explorar os outros. Tinham conhecimento de muitas coisas que o Ocidente ignorava. Possuíam mais filosofia, conheciam mais teologia, tinham melhores argumentos. Na Índia, isso tem sido uma profissão durante séculos. Então, quando vieram para o Ocidente, imediatamente causaram um grande impacto. Um padre cristão parecia pobre em comparação a eles. Mesmo o mais culto dos rabinos não era um competidor à altura.
E aqueles que vieram não eram grandes homens. Vieram para o Ocidente para obter seguidores, coletar dinheiro e, finalmente, levar esse dinheiro para a Índia para construir templos e lugares onde eles e seus discípulos pudessem viver. Mas sempre foi uma questão materialista, não havia nada de espiritual nisso. Naturalmente, a palavra “guru” passou a ter conotações negativas.

Harmonia…
Deus é a harmonia de tudo aquilo que existe, e você pode observar: tudo é harmonioso. As árvores balançando com o vento: estão em harmonia. As árvores não brigam contra o vento, elas dançam com ele. As estrelas se movem em enorme harmonia. Essa vasta existência é uma grande orquestra: tudo está em sintonia como todo o resto. Não há conflito, não há divisões, não há desarmonia.Apenas o homem é capaz de acreditar que ele é algo separado disso tudo, porque possui consciência, e a consciência lhe dá o poder de escolha, a alternativa. Você pode pensar em si mesmo como estando à parte – e então criará em miséria e sofrerá como no inferno – ou pode tentar compreender a unidade do todo e, subitamente, haverá êxtase. Ser um com o todo é êxtase. Estar separado do todo é miséria e sofrimento

Humor…
Para mim, o humor é a mais sagrada experiência da vida.
E há muitas coisas para provar isso: à exceção dos homens, nenhum animal em toda a existência possui senso de humor. Você espera que um búfalo ria? Ou que uma mula tenha senso de humor? A partir do momento em que os santos ocidentais se tornam sérios, caem na mesma categoria que os búfalos e as mulas: não são mais humanos, porque essa é a única qualidade especial que a consciência humana possui. Isso nos mostra que é somente a partir de um determinado ponto da evolução que o humor se manifesta.
E quanto mais alto você se eleva, mais divertida e bem-humorada será usa abordagem em relação à vida e seus problemas. Os problemas não serão mais um peso, será uma alegria resolvê-los. A vida não será um pecado – foram as pessoas sérias que fizeram da vida um pecado -, mas uma recompensa, um presente. E aqueles que estão desperdiçando suas vidas com a seriedade não estão gratos com a existência.
Aprenda a ria com as flores e as estrelas, e você sentirá uma estranha leveza tomando conta de seu ser… Como se você tivesse asas e pudesse voar.

Igualdade…
Todo o indivíduo nasce com um talento específico, alguma genialidade específica que lhe pertence. Pode não ser um poeta como Shelley ou Rabindranath Tagora, pode não pintar como Picasso ou Rembrandt, pode não compor como Beethoven ou Mozart, mas certamente terá algo dentro de si. É isso que precisa ser descoberto. É preciso ajudá-lo a descobrir o que ele trouxe para o mundo como dádiva.
Ninguém vem sem alguma dádiva, cada um traz um potencial. mas a idéia de igualdade é perigosa, porque a rosa precisa ser a rosa e o cravo precisa ser o cravo. Se você tentar fazer com que sejam todos iguais, então estará destruindo a todos: rosas e cravos serão ambos destruídos. Talvez seja possível criar flores de plástico, que serão absolutamente iguais umas às outras, mas elas estarão mortas.

Iluminação…
A iluminação é simplesmente o processo perceptivo em relação às camadas inconscientes da personalidade e abandoná-las. Elas não são você: são faces falsas. E, por causa dessas faces falsas, você não pode descobrir sua face original e verdadeira. A iluminação nada mais é do que a descoberta da face original – a realidade essencial que você trouxe consigo e a realidade essencial que levará com você quando morrer. Todas essas camadas acumuladas entre o nascimento e a morte ficarão para trás.
Quando você atinge a iluminação, não se torna uma nova pessoa. Na verdade, você não ganha nada, apenas perde algo: se desprende de suas correntes, de suas amarras, deixa para trás seu sofrimento e vai perdendo outras coisas. A iluminação é um processo de perda. Quando não há nada a perder, esse estado é o nirvana. Esse estado de completo silencio pode ser chamado de iluminação…
Não lhe prometo nada. Não lhe prometo o reino de Deus, nem a iluminação: não faço promessas. Minha abordagem é viver um momento de cada vez, estando iluminado ou não. O que importa? Viva os momentos de forma alegre, em êxtase, totalmente, intensamente, apaixonadamente…
Se alguém vive de forma apaixonada, o ego se dissolve. Se ágüem se coloca por inteiro em seus atos, o ego tem que se dissolver. É como um dançarino que está dançando por um longo tempo: em algum momento apenas a dança permanece e o dançarino desaparece. Esse é o momento da iluminação.
Sempre que aquele-que-faz não estiver presente, sempre que o manipulador não estiver presente, sempre que não houver ninguém dentro de você, e houver apenas o vazio, o nada, isso será a iluminação. A partir desse belo espaço, tudo que nascer terá graça, glória.

Imortalidade…
O segredo da imortalidade não é tão secreto que não possa ser descoberto. Na verdade é bem conhecido, basta cavar um pouco dentro de si mesmo que você poderá descobri-lo. Há apenas algumas camadas de lixo a serem removidas: chamamos esse lixo de “mente”. Pensamentos, desejos e memórias se acumulam lá dentro, e por causa desse acúmulo não podemos ver nossa própria verdade. Quando somos capazes de abrir um pequeno espaço, a verdade é descoberta.
A verdade é que somos imortais. A verdade é que nunca nascemos e jamais morreremos, que o nascimento e a morte são episódios em nossa vida eterna. Milhares de vezes passamos pelo nascimento, e milhares de vezes deixamos nosso corpo. É por causa dessa mente que continuamos voltando várias vezes. E é por causa dessa mente que samsara, a roda de nascimento e a morte, continua a se mover.
Se deixarmos a mente de lado, a roda pára. E nisso consiste toda a arte da meditação – como deixar de lado essa mente e como entrar no espaço chamado de não-mente.

Imperfeição…
O perfeccionismo é a causa básica de todas as neuroses. Ninguém pode ser perfeito – ninguém precisa ser perfeito. A vida é bela porque tudo é imperfeito. A perfeição é a morte, a imperfeição é a vida. É por causa da imperfeição que o crescimento é possível. Se você for perfeito, então não haverá crescimento, não haverá movimento. Nada poderá acontecer com você, pois tudo já terá acontecido. Você estará absolutamente morto.

Incognoscível…
Aqui estão três palavras que precisam ser lembradas: o conhecido, o conhecível e o incognoscível.
Aquilo que é conhecido já foi desconhecido antes. O conhecível é desconhecido hoje mas também se tornará conhecido no futuro.
A ciência credita em apenas duas categorias: o conhecido e o desconhecido. Mas o desconhecido significa o conhecível: até agora não fomos capazes de conhecê-lo, mas em algum momento seremos. Assim, em algum momento na história, no futuro, chegaremos a um ponto do conhecimento em que restará apenas uma categoria – aquilo que é conhecido. Tudo já será conhecido porque o desconhecido foi lentamente reduzido ao conhecido.
Mas a religião possui uma terceira categoria, que é o incognoscível – aquilo que nunca foi conhecido nem num será. Era incognoscível ontem, é incognoscível hoje, permanecerá incognoscível amanhã.
A ciência acredita que a existência pode ser desmistificada, mas a religião sabe que há coisas desconhecíveis, que permanecerão sempre um mistério. E esse incognoscível se chama Deus, verdade, nirvana – há tantos nomes para ele – tão, dhamma, lagos, mas há uma qualidade que está definitivamente presente em todas essas palavras: é um mistério absoluto. Você pode penetrar nele, tornar-se parte dele, mas você não pode conhecê-lo.
Você pode vivenciá-lo, mas não conhecê-lo. Pode experimentá-lo, mas não pode dizer nada a seu respeito. Essa é a experiência mais valiosa. Pode ser vivenciada mas jamais expressada. É por isso que não pode tornar-se parte do que é conhecido.
Muitas pessoas já a vivenciaram – Buda, Lao Tse, Patanjali, Kabir -, mas ninguém jamais foi capaz de falar a respeito. Tudo o que disseram foi como encontrar essa experiência, mas nada sobre o que será encontrado.
Lao Tse começa seu livro, o Tão-Te King, dizendo: “A verdade é aquilo que não pode ser expresso”. “Lembre-se disso”, ele diz, “e não será encontrada nessas palavras”. Talvez seja possível encontrá-la nos espaços entre as palavras ou nas entrelinhas, mas não nas palavras, não nas linhas em si.
Essa é nossa busca – o incognoscível.

Insight…
Todos os grandes cientistas dizem que, sempre que eles descobrem algo, não estavam pensando – a descoberta foi feita quando o pensamento havia cessado e ocorreu um intervalo, um lapso. Nesse intervalo estava o insight, o clarão da intuição, rápido como um raio. Quando o pensar pára, seu pensamento se torna puro. Pode soar paradoxal: quando o pensar pára – permita que eu o repita -, seu pensamento se torna puro, sua capacidade de refletir a realidade se torna pura.

Inteligência…
A inteligência simplesmente significa uma habilidade para responder, porque a vida é um fluxo. Você tem que estar alerta e perceber o que é exigido de você, qual é o desafio da situação. Uma pessoa inteligente se comporta de acordo com respostas já preparadas. Quer venham de Buda, Cristo ou Krishna, não importa, ela sempre carrega escrituras consigo, tem medo de depender ape
nas de si mesma. Uma pessoa inteligente depende de seus próprios insights. Ela confia em seu próprio ser. Ela ama e respeita a si mesma. A pessoa não-inteligente respeita outras pessoas.

Inveja…
A inveja vem da comparação. E fomos ensinados a comparar, fomos condicionados a comparar sempre. Fulano tem uma casa melhor, sicrano possui um corpo mais belo, beltrano ganhou mais dinheiro. Compare, continue comparando a si mesmo com cada um que você encontrar, e o resultado será uma grande inveja. É o efeito colateral do condicionamento para a comparação.

No entanto, se você parar de comparar, a inveja desaparecerá. Então simplesmente saberá que você é você, e que não é ninguém mais, já basta. É bom que não se compare com árvores, do contrário começará a sentir uma profunda inveja: por que você não é verde? Melhor não se comparar com os pássaros, nem com os rios, nem com as montanhas, pois irá sofrer. A comparação é uma atitude tola, porque cada pessoa é única e incomparável. Você é apenas você mesmo: ninguém jamais foi como você, ninguém jamais será assim. E você não precisa se parecer com ninguém mais.

Juízo Final…
Não há Deus, então não há por que temer o dia do Juízo Final.
Jamais haverá esse dia do Juízo Final. Alem disso, pense o seguinte: em apenas vinte e quatro horas, mesmo que seu Deus seja absolutamente poderoso, quantos milhões de pessoas, que já viveram durante todos os séculos, se reunirão no dia do Juízo Final em um tribunal? Haverá um mar de pessoas gritando para serem julgadas. Não acho possível que, em vinte e quatro horas, Deus possa decidir quem vai para onde.
O Juízo Final – a própria idéia é i*****. Haverá tantos arquivos sobre cada um de nós que Deus levará toda a eternidade só para organizá-los.

Kundalini…
Existência é energia, é o movimento da energia em diversas formas. No que diz respeito à existência humana, é a energia kundalini. Kundalini é a energia focada do corpo humano e da psique humana.
A energia pode existir de forma manifesta ou não-manifesta. Pode continuar como uma semente, ou brotar de forma manifesta. Toda a energia está na semente ou na forma manifesta. Kundalini significa seu potencial total, todas as suas possibilidades. Mas é uma semente, é o potencial. há formas de despertar a energia kundalini para trazer seu potencial à tona.
Em primeiro lugar, kundalini não é algo único. Como tal, é apenas a energia humana. Mas, em geral, apenas uma parte dela está funcionando, uma parte bem pequena. E mesmo essa parte não está funcionando de forma harmoniosa: ela está em conflito – daí o sofrimento, a angústia. Se a sua energia puder funcionar harmoniosamente, então você atingirá o êxtase. Mas, se estiver em conflito, se for antagônica a si mesma, então você estará sofrendo. Toda miséria significa que sua energia está em conflito, e toda felicidade, todo êxtase, significa que sua energia está em harmonia.

Lavagem cerebral…
Alguém pode me dizer o que há de errado em receber uma lavagem cerebral? Lave seu cérebro todo dia, mantenha-o limpo! Você gosta de baratas? Quando faço uma lavagem cerebral nas pessoas, é isso que encontro, baratas.
As baratas são animais muito especiais. Foi cientificamente comprovado que, sempre que você encontra homens, encontra baratas, e sempre que você encontra baratas, encontra homens. Andam sempre juntos, são velhos companheiros.
O que você tem em seu cérebro? Lavá-lo é uma excelente idéia. Mas as pessoas têm dado a isso uma conotação errada, entretanto são essas pessoas que estão erradas.
Os cristãos têm medo de que alguém faça uma lavagem cerebral neles, porque assim deixarão de ser cristãos. Os hindus têm medo porque assim deixarão de ser hindus. Os muçulmanos têm medo, os comunistas têm medo… Todos têm medo da lavagem cerebral.
Mas sou absolutamente a favor dela. Não tenho medo de lavagens cerebrais porque não estou colocando baratas em sua mente. Estou lhe dando a oportunidade para vivenciar uma mente limpa e, uma vez que você saiba o que é uma mente limpa, nunca mais irá deixar que alguém deposite besteiras e lixo em sua mente.

Lealdade…
No lugar do amor e da confiança, criamos um falso valor: e lealdade. Uma pessoa leal está amando apenas superficialmente. Ela faz todos os gestos do amor, mas eles não significam nada: seu coração permanece de fora desses gestos formais.
Um escravo é leal. Mas você pensa que alguém que seja um escravo, que tenha sido reduzido em sua humanidade e cujo orgulho e dignidade tenham sido retirados, pode, de fato, amar a pessoa que lhe fez um mal tão profundo? Ele irá odiá-la e, se tiver oportunidade, matá-la. Ainda assim, na superfície, permanecerá leal, pois precisa ser assim. A lealdade não vem de sua alegria, mas de seu medo. Não existe por amor, mas por um condicionamento mental que lhe obriga a ser leal a seu mestre. É a mesma lealdade do cachorro em relação a seu dono.

Liberdade…
A lógica acredita em duas categorias: o conhecido e o desconhecido. Aquilo que hoje é desconhecido se tornará conhecido no futuro. Aquilo que é conhecido hoje não era conhecido antes. Dessa forma, não há muita diferença entre o que é conhecido e o que é desconhecido: pertencem à mesma categoria. A lógica não acredita em coisas que não possam ser conhecidas – e aquilo que não pode ser conhecido é o coração da vida, é a própria pulsação do universo.
Eu não sou contra a lógica. Use-a, é uma bela estratégia no que diz respeito às coisas, ao mercado, ao mundo superficial. As tenha cuidado para não levá-la às camadas mais profundas da vida e da experiência. Lá, ela torna-se um obstáculo.
“Lógica” significa “mente”. E a mente ajuda a entender o mundo objetivo. Mas a mente é um obstáculo para a compreensão do mundo subjetivo, porque esse mundo está alem da mente, por trás da mente. Você pode usar seus olhos para ver outras pessoas, mas não pode usá-los para ver a si mesmo. Se quiser se ver com seus próprios olhos, terá que usar um espelho. Olhar em um espelho significa que você está criando um reflexo de si mesmo, que não é você, não pode ser você, mas você pode ver o reflexo mesmo assim. A lógica só pode ver o reflexo da glória da existência: não é capaz de ver a existência em si porque ela vai muito mais fundo do que as formulações lógicas.

Lótus
A flor de lótus é um dos fenômenos mais miraculosos da existência. Foi por isso que, no Oriente, ela se tornou o símbolo da transformação espiritual. Buda está sentado em um lótus, Vishnu está de pé em um lótus. Por que um lótus? Porque a flor de lótus possui um significado muito simbólico, já que cresce a partir da lama suja. É um símbolo de transformação, é uma metamorfose. A lama é suja, talvez fedorenta, mas a flor de lótus possui um perfume, e ela saiu da lama suja.

Fonte: http://www.osho.org/

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