A Ilusão do Eu…

O conceito de Ego pode significar muitas coisas dependendo de quem está falando, em uma visão esotérica seria o lado “problemático” da mente, aquele que sucumbe facilmente à ganância, gula, luxúria, ódio, preguiça, inveja e vaidade/orgulho. Embora essa visão não esteja completamente errada, é uma perspectiva simplificada e reducionista, na verdade, o que chamamos de “eu” é uma estrutura mental que criamos para convivermos em sociedade.

O psicanalista Sigmund Freud idealizou o ego como sendo uma das três estruturas do seu modelo de aparelho psíquico. O ego desenvolve-se a partir do Id com o objetivo de mediar os impulsos provenientes do inconsciente, levando em consideração as demandas e limitações impostas pelo “mundo externo”. O Ego faz isso através de mecanismos de defesa, que extravasão  ou redistribuem a energia psíquica. Na psicanalise o ego não é completamente consciente, os mecanismos de defesa fazem parte de um nível inconsciente e não temos total controle sobre eles.

Já seu discípulo, e eventual dissidente, Carl Jung usou o termo “ego” para definir uma parte da psique humana, a qual se encontra dentro de uma estrutura maior. Um dos principais conceitos de Jung e, pode-se dizer, o objetivo de todo homem para ele, é o da individuação, que seria um processo de desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego, centro da consciência, e o Self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois aspectos de um único sistema, por isso é tão importante manter a comunicação e o equilíbrio do eixo ego-Self.

mind-throne-by-justin-slattumQuando vemos o ego como algo “problemático” o que sentimos imediatamente é a vontade de separa-lo, exclui-lo, mas isso só ira gerar mais conflito. O ego, apesar de ser uma ilusão, não é um inimigo, a não ser que você faça ele um. Ele é apenas um processo mental, o problema é quando criamos um senso de identificação rígido e obsessivo, fazendo isso acabamos por dar boa parte do nosso poder para essa ilusão ditar o que devemos pensar, sentir e ser,. O que precisamos fazer é tomar consciência da estrutura mental que construirmos, e podemos fazer isso de maneira eficiente  através da auto-observação, ou qualquer tipo de observação, pois tudo que vemos nos outros, e até mesmo nos padrões da natureza, faz parte da nossa essência, o que nós realmente somos é uma forma de extensão da existência em si. Compreender isso que é transcender o ego, não é destruí-lo, mas entender porque ele existe, e usa-lo com sabedoria. O ego é um bom servo, mas um péssimo mestre.

break-free-by-donnyhoodAo notar uma possibilidade de sua existência não ser “verdadeira” (no sentido de ser impermanente), ou ao se encontrar com algum evento contrário a sua perspectiva, o ego assume uma postura de reação e ataque, negando persistentemente qualquer outro braço do fractal universal. Deste modo, o intelecto não pode incluir nada em seu campo de existência que vá contra aquilo que já está condicionado em seu interior.
Se você crê estar vendo o todo, seja o todo universal, ou todo pessoal, então está limitado a percepção egocentrista, que se diz conhecedora da verdade. Todavia, a natureza da mente é fragmentada, ou seja. se enxerga como uma parte separada da existência, da totalidade, enxerga somente os fragmentos que lhe são conhecidos e/ou convenientes. A mente consciente opera em padrão de seleção e deleção de informação, não há como ela processar tudo. Portanto, se você crê estar vendo o todo, seja o todo universal, ou todo pessoal, então está limitado a percepção egocentrista, que se diz conhecedora da verdade. Todavia, a natureza da mente é fragmentada, ou seja. se enxerga como uma parte separada da existência, do todo, portanto não se sente completa, enxerga somente os fragmentos que lhe são conhecidos conscientemente e isso distorce a sua percepção.

Conhecer o todo, ou ao menos ter um vislumbre do todo, da criação, não é possível através do intelecto. A verdade não pode surgir do intelecto, pois ela não é linear, não pode ser traduzida. Pois que no momento em que há a tradução da verdade, ela deixa de existir. A verdade só pode ser experimentada.
Como disse Lao-Tzu: “A verdade não pode ser dita. Se é dita, não é a verdade”, ela pode apenas ser sentida, e somente através de nossos próprios filtros sensoriais e mentais.

Até podemos tentar compreende-la através do intelecto, mas jamais será a verdade em si, apenas uma perspectiva dela. Por esse motivo é importante entender que o que chamamos de “eu” não tem uma existência objetiva, somente existindo como um reflexo ilusório da consciência primordial, como uma ideia em nossas mentes e não a verdade em si.
Quando nos fixamos na identificação obsessiva com este “eu” nos limitamos, nos fechamos para o total potencial de quem somos.
Com esse texto eu não quero dizer que não devemos usar o intelecto, muito pelo contrário, o que quero dizer é que devemos utiliza-lo da maneira adequada, sabendo sua função e suas limitações. Todos processos mentais tem sua utilidade, precisamos saber equilibrar, pois como diz o velho ditado Zen sobre a iluminação:
                   “Não se pode atingir ao pensar.
Não se pode atingir ao não pensar.”

Há quem diga que apenas na “morte” do ego é possível haver felicidade, paz e liberdade.  É possível sim anular o ego…tudo é uma questão de autoconhecimento, consciência e disciplina. Desapegar dos caprichos e apelos do ego, de antigos paradigmas e padrões de pensamentos…

Ego é a soma total dos pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais. É a parte mais superficial do indivíduo, a qual, modificada e tornada consciente, tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do indivíduo.

Self  O Si-mesmo é o centro de toda a personalidade.
“O Si-mesmo representa o objetivo do homem inteiro, a saber, a realização de sua totalidade e de sua individualidade, com ou contra sua vontade. A dinâmica desse processo é o instinto, que vigia para que tudo o que pertence a uma vida individual figure ali, exatamente, com ou sem a concordância do sujeito, quer tenha consciência do que acontece, quer não.” Fonte

Os 3 tipos de eu (self) na Terapia de Aceitação e Compromisso…

1) O eu como conceito (conceptualized Self)…

A palavra conceito vem do latim conseptus, do verbo concipere que tem o significado de formar dentro de si. Quando vamos analisar o eu, veremos que surgirá um conceito sobre o eu, uma forma, uma ideia formada dentro da nossa cabeça. Uma pessoa pode dizer:

“Eu sou uma pessoa boa. Pura. Casta. Altruísta”.

Esses são conceitos (bondade, pureza, castidade, altruísmo) que nortearão a vida dessa pessoa. Como são conceitos positivos, em princípio, não haveria nada de ruim neste tipo de eu. Porém, o problema surge quando há um conflito entre esses conceitos e a necessidade da realidade – ou do corpo.

Digamos que em uma situação seja necessário ser duro, firme, bravo. Talvez, pelo conceito do eu, a pessoa não conseguirá agir como deveria agir. E, ao não conseguir agir, passará a ser – naquele momento – uma pessoa má e egoísta.

Além disso, o eu como conceito vai excluir muitos e muitos momentos na vida e vai colocar no inconsciente (no que Jung chama de sombra, Schatten) muitos aspectos que também fazem parte da personalidade. Os dois maiores complexos são, como sabemos, o complexo de poder e o complexo ligado à sexualidade.

Assim, como é comum, uma pessoa que se define como uma pessoa boa, pura, casta e altruísta vai conseguir ver a maldade, impureza, sexualidade e egoísmo nas outras pessoas. Mas não saberá que esses traços igualmente estão dentro dela mesma.

Caso passe a perceber que é isso, mas também pode ser o contrário, que pode ser de um jeito em uma circunstância e de outra maneira em outro tempo, chegará perto do segundo tipo de eu.

Segundo Steven Hayes, no livro Get out of your mind and into your life:

“Quando você deixa o apego ao eu como conceito, você é como uma criança, aberto a cada possibilidade, com vontade de descobrir o que é”.

2) O eu como processo de autoconsciência (Self as a Process of ongoing Self-Awareness)…

Hayes diz: “O eu como processo contínuo de autoconsciência é conhecimento fluido de sua própria experiência no momento presente. É como o eu como conceito, na medida em que aplicamos categorias da linguagem. Mas é diferente porque, em vez de utilizar categorias fixas e de julgamento de valor, as categorias são descritivas, não avaliativas, presentes e flexíveis:

  • ‘Agora eu estou sentindo isso’.
  • ‘Agora eu estou sentindo aquilo’.
  • ‘Agora eu estou me lembrando disso’.
  • ‘Agora eu estou vendo aquilo’.

A diferença entre o primeiro tipo de eu e o segundo consiste na fixidez, maior ou menor. O eu como conceito tende e quer ser fixo, imutável, rígido. O eu como processo é naturalmente fluído, impermanente, inconstante.

Se o eu como conceito avaliar e julgar o eu como processo, pensará que esta não é uma boa maneira de viver: cada hora sendo de um jeito. Porém, como podemos notar claramente na realidade, tudo está em contínuo processo de mudança.

Gosto de pensar no exemplo do impressionismo. Antes do movimento impressionista, os artistas pintavam seus quadros em estúdios, com iluminação controlada. Quando (a partir de Kant), eles passaram a olhar o mundo como um processo, viram que um objeto se transforma com a mudança da luz ao longo de um dia. É algo óbvio, mas isto estava excluído da arte até então, pois uma árvore é de um jeito de manhã e no pôr-do-sol.

Veja abaixo uma foto e uma quadro de Monet:

 

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screen-shot-2013-07-03-at-9-03-34-amEvidentemente, o eu como processo dá-nos muito mais liberdade e até tranquilidade já que sabemos que um estado emocional difícil ou uma sensação como uma dor vai passar. Também estimula uma maior compreensão das outras pessoas. Se lidamos com o outro como um conceito, por exemplo, “aquela pessoa é antipática”, vamos estar lidando não como a pessoa-ela-mesma, mas sim com a ideia que temos dela.

3) O eu como observador (Observing Self)…

A maior resistência para aceitar a ideia do eu como processo é o pensamento seguinte: “se eu estou em constante mudança, se eu não me identifico com os meus pensamentos, sentimentos e emoções como sendo eu, então quem sou eu?”

O terceiro tipo de eu é um pouco mais complicado de entender, não por ser complexo, mas sim por ser extremamente simples. O terceiro tipo de eu na ACT é o eu como o observador. Segundo Hayes, existem vários nomes: “o eu como contexto, o eu transcendente, o eu espiritual (spiritual sense), o eu como nada (no-thing)”.

Em algumas tradições orientais, existe a noção do eu como nada ou como vazio (shunyata). Para o eu como conceito, isto é simplesmente inconcebível… ou no mínimo uma depreciação do seu valor. “Como? Eu não sou nada?!”

Mas é fácil de compreender que não se trata de niilismo. A ideia do eu como nada (no-thing) pode ser compreendida pela palavra em inglês, nothing, ou seja, como “nenhuma coisa”.

Explico: ao longo do dia nós entramos em contato com centenas, milhares, quem sabe milhões de estímulos: o que vemos, ouvimos, cheiramos, degustamos, tocamos. Não só fora, no nosso ambiente, como também dentro: sensações internas, na pele, imagens, sons (pensamentos), emoções, etc.

Ora, se passarmos a compreender que o eu é como um processo de transformação constante de uma coisa em outra, de uma ideia que surge para a ideia seguinte, de uma sensação que nasce para depois morrer, de uma emoção que muda, enfim, veremos que somos tudo isso, mas também que não somos nada disso, nenhuma coisa (nothing) dos fenômenos.Antes, somos a consciência que observa: o eu, portanto, como um observador de tudo. O que permite com que todos os fenômenos sejam percebidos, ao mesmo tempo em que não há identificação permanente com nada.Fonte

Para concluir, gostaria de deixar aqui uma música fantástica dos Beatles, chamada Tomorrow never knows, amanhã nunca se sabe:

 

A “Morte” do Ego: Compreendendo o SER…

Não está na lógica a percepção de uma possível emancipação do pequeno eu. Eis então o flagelo do pseudoconsciente, acreditar que é superior ao ego, que é superior a uma parte de si mesmo, perpetuando sua fragmentação.

Sendo o pequeno eu uma extensão do Eu Profundo, nele está abrigada a própria manifestação do não-manifestado. Logo, sendo um canal para a expressão do divino, estar superior ao ego é estar, em termos diretos, não mais vivo. Vê-se então a impossibilidade de matar o ego, pois sendo a própria tradução do não linear, sua inexistência anularia completamente a vida.
Veja que me refiro à mente como um todo, não aos seus condicionamentos.

Eis então a nossa proposta para que haja uma trindade harmônica na vida de cada ser humano: O Eu Profundo, o mundo e o pequeno eu.

Quando há somente o primeiro (a existência em si), não pode haver vida física, a linguagem é incompatível, por isso necessita de um ponto de referência. Quando esse ponto é neutro, dizemos que não existe intermediário, apenas tradutor.

Logo, a existência da mente é necessária; seu descontrole é que não. Quando descontrolada, torna-se intermediária, torna-se uma voz ativa que teima em distorcer a tradução.

O ego não existe por si só. Se você meditar profundamente sobre um determinado ego(“eu”), vai perceber que ele se desvanece como uma nuvem. Ele não possui essência, não tem nada de concreto, é apenas uma associação de pensamentos que adquire uma personalidade própria. É como um fluir de pensamentos e emoções que se enredam e assumem a ilusão de ser alguma coisa real. Todos os egos são apenas associações de pensamento, assumem uma personalidade e quando estão no comando temos tanta certeza de sua existência que pensamos: este sou eu, eu sou assim, eu quero isso, eu não quero aquilo, é minha opinião. Porém, nada mais falso, são apenas pensamentos agrupados e associados que assumem vida própria e por alguns momentos acabam por assumir o comando.

O mundo, segundo elemento, não precisa de porta-voz para comunicar-se com o espírito, precisa apenas de um tradutor que mantenha a verdade incorruptível. Não é para haver tradução livre, é para haver tradução literal, pois o mundo é literal, é concreto e é por isso que o espírito quer conhecê-lo, pois o Eu Profundo não é literal, mas abstrato, fugindo de qualquer padrão identificado pela mente.

Deste modo, quem insiste em querer dissipar o ego está vivendo uma fantasia. Sendo o ego uma característica da mente, tudo o que for do pensamento parte inevitavelmente do mesmo princípio: o pequeno eu. Portanto, a ação em si já uma característica “corrompida” pela mente, impedindo que haja a separação, tão aclamada pelo pseudoconsciente, entre seu Eu Profundo e o ego. Matá-lo então é um pensamento tolo.

O ego não pode ser morto, pois não existe, é a ilusão de identificação com algum conceito que você criou de si mesmo(personalidade, corpo, status, etc.). Quando você diz que vai matar o ego, é o próprio falando. Quando você diz que se tornará superior ao ego, é o próprio falando. Quando você diz que vai lutar contra ele, é o próprio falando. Qualquer mentalização provém do ego. O que está além é a vontade pura, sem pontes para a expressão. É algo que não se descreve, não se fomenta e não se põe em movimento linear.

Portanto, matar o ego é impossível, ele sempre existirá, a não ser num estado da não-forma, no estado da divindade em si, do espírito, do total abstrato e subjetivo. Enquanto houver antropomorfização do espírito, a mente persistirá.

O que se deve fazer é harmonizar a mente, o mundo e o Ser. Esta trindade deve novamente ficar em equilíbrio, assim como ocorria na tenra infância em que o intelecto não estava presente, ou seja o intermediário, mas tão-somente o tradutor. A maturidade espiritual consiste em trazer de volta o tradutor, porém agora preenchido de consciência de si e de seu papel na evolução da matéria e na experiência do Eu Profundo.

Pois aquele que mesclar a inocência de uma criança com a consciência de um adulto estará enfim liberto das amarras do mundo. Terá finalmente sublimado Maya.

Compreenda algo de extrema importância: inteligência não tem nada a ver com conhecimento. Adquirir conhecimento é tornar-se instruído, mas não necessariamente inteligente. E veja que aqui eu nem me refiro à sabedoria, esse é outro nível. Instrução e inteligência são aspectos totalmente diferentes do entendimento humano.

Acumular conhecimento desvairado é um atributo de quem não conhece a si mesmo. Mais que isso, é um atributo de quem acha que sabe quem é. Não se trata de compreensão, trata-se de interpretação de informações concretas, uma vez que a raiz de qualquer conhecimento adquirível por vias materiais é constituída de objetivismos.

E não importa que haja pretensas abstrações em determinadas ideias filosóficas; em havendo a transcrição, haverá também uma perda quase integral do atributo original. Logo, qualquer conhecimento que possa ser aprendido pela mente concreta é contraído e limitado, pois assim é o pensamento.

Então, a principal diferença entre alguém instruído e alguém inteligente é que o primeiro, para saber o que sabe, procura ler 10 mil livros, mas o segundo aprendeu a buscar o conhecimento diretamente da fonte; por isso, mantendo-se em constante evolução, poderá tornar-se um sábio algum dia.

Não me refiro ao conhecimento apenas intelectual, vou muito além do intelecto. Falo da concepção universal do que é ter verdadeiro conhecimento, verdadeira inteligência e verdadeira sabedoria. Refiro-me ao saber baseado no autoconhecer e no autovivenciar que, para o mesmo efeito, leva cedo ou tarde ao conhecimento exterior que mais se aproxima daquilo que constituímos como verdade. Aqui, a sabedoria então pode ascender.

Mas isso só poderá vir quando o indivíduo perceber que o conhecimento não está em sua mente. Esse é o grande truque. Enquanto o intelectual busca ler tudo o que puder, o sábio acessa tudo aquilo de que ele precisa diretamente dos registros coletivos da consciência humana. E isso só pode se dar quando há espaço suficiente para a manifestação da intuição, do sopro do Eu Profundo.

Aquele em busca da sabedoria compreende que todo o conhecimento adquirido em vida se perde no momento da morte. Todos os diplomas, cursos, reconhecimentos, prêmios, conquistas, tudo isso se torna apenas uma partícula singular. Compreender isso é libertador, pois se entende que a busca exacerbada por conhecimento é desperdício de energia.

O conhecimento não está na mente, e isso é algo que pode chocá-lo. E eu lhe proponho apenas uma pequena meditação a respeito, pois sei que isso fará todo o sentido para você. A mente é apenas um referencial, um guia. O pensamento não nasce na mente física, assim como tudo o que aprendemos não fica nela armazenado.

Você, como divindade, sabe tudo. Mas você, como pequeno eu, não tem consciência disso.

Logo, como pequeno eu, você tenta compensar esse esquecimento lendo e estudando desesperadamente para aprender tudo o quanto for possível, quando o mais sábio e eficaz seria tornar-se consciente e reconectar-se com seu lado divino que tudo sabe, tudo vê e tudo entende.

E é justamente por não compreender isso que você, ainda achando que é o pequeno eu, sofre, pois não compreende as coisas, se enraivece, pois não sabe como lidar com as pessoas e se magoa, pois não consegue entender a si mesmo. Seu estado de inconsciência produz uma avalanche de mentalizações em forma de flagelos.

Então, o grande lance é você deixar de lado essa ânsia por compreender tudo. Isso só leva a muita confusão pelo excesso de informações. Torne-se, ao invés disso, mais e mais consciente de si mesmo e do seu entorno.

Aos poucos, você estará derrubando barreiras que impedem que a intuição aflore. Pois quando ela soprar em seu pescoço, um novo universo estará ao seu alcance. Você saberá coisas que jamais pensou em conhecer; verá abstrações tão nítidas como uma xícara de café; começará a entender as mais complexas questões formuladas até então por sua mente. Fonte

 

Buda – A Superação do Ego

 J. Krishnamurti – O “Eu”

Reflexões acerca do Ego

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