LEI DA ESTRUTURA…

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(Law of Structure)

Todas as estruturas energéticas (contêiner, casa, corpos ou entidades) precisam ser definidas para determinar o conteúdo energético e a vibração dentro da estrutura. É importante entender que essa é uma das Leis Universais que governam energia e forma. Se a estrutura energética ou física não é definida com uma clara missão, propósito ou intenção, isso significa que a estrutura (contêiner, casa, corpo ou entidade) será invadida, infiltrada ou usada por forças escuras que tomarão a estrutura para sua agenda específica. O ato de comandar seu espaço é participar com a Lei do Consentimento definindo a autoridade de quais energias você permite no seu corpo, contêiner ou casa. Se você permite que as Casas do Ego sejam construídas, elas irão residir dentro do seu corpo, mente e isso irá corromper seu coração e sua alma.

Lei da Estrutura…

Existem Leis Universais que governam a estrutura (arquitetura) existente em ambos os níveis energéticos (pré-matéria) e níveis físicos (matéria) para absolutamente todas as coisas que existem. A maior parte do conhecimento de pré-matéria dessas Leis Universais de Estruturas acha-se ocultada dentro das sociedades secretas, como os muitos aliados organizados em torno da pirâmide das Ordens Maçônicas. Basicamente, o nome “maçom” significa “construtor”. Para ser um construtor perito, ou artesão, é preciso ter em troca o entendimento dos princípios e leis que governam a construção de uma estrutura, tanto no macrocosmo como no microcosmo. Neste exemplo, a Lei estende o conhecimento para existir tanto no nível de pré-matéria do blueprint energético-espiritual bem como no resultado manifesto da forma estrutural na matéria. Esse conhecimento avançado dá ao “construtor” acesso para entender a coleção de recursos energéticos numa estrutura e para direcionar essas energias (mundo das forças/ World of Forces) para algum propósito intencional. Obviamente, o propósito energético da estrutura precisa ser definido pelo arquiteto/construtor, podendo ser projetado tanto como intencionalmente destrutivo quanto como intencionalmente positivo para a humanidade.

Esta mesma Lei da Estrutura aplica-se a todas as coisas no macro/micro que possuem forma: um monumento, igrejas, arranha-céus, negócios, organizações, comunidades, casas, altares e até mesmo websites. Consecutivamente, desloca-se para baixo ao nível humano coletivo, o qual impacta o comportamento energético – o que conduz à mente, corpo e espírito individuais.

Muitos de nós estamos cientes de que as facções controladoras (Engodo Arcôntico da AAN Agenda Alienígena Negativa) infiltraram as sociedades secretas para violentar e corromper esse Conhecimento Universal e sua relação energética com a tecnologia da consciência planetária. Esse conhecimento permanece oculto das massas que na maioria dos casos são incapazes de perceber a manipulação das estruturas – projetadas física e energeticamente para escravizar a humanidade.

Alicerce da Lei…

Para propósitos referentes à retomada do controle da própria mente, corpo e consciência espiritual, estamos discutindo os fundamentos da Lei na medida em que são relevantes para a tomada de consciência das Estruturas Internas do Ego que operam no nosso corpo.

  • • Toda matéria no Universo compõe-se de camadas de Energia Vibrante. Isso também é conhecido como a Lei da Vibração.
  • • Toda Consciência de Energia vibra e se manifesta de acordo com uma Lei ou Princípio Mais Elevado que governa a Estrutura ou Corpo.
  • • A forma Geométrica (blueprint + Intenção) determina o Conteúdo Energético e a Vibração dentro da Estrutura ou Corpo.
  • • Quanto mais perfeita a forma Geométrica (blueprint + Intenção), tanto mais perfeito o Conteúdo Energético e harmonizada a Vibração.
  • • Energia da Consciência, Força Vital ou Espírito estão constantemente em movimento e transformação. Energia não pode permanecer estagnada, deve seguir a Estrutura dentro da Forma criando assim mudança.
  • • Mudança é essencial e inevitável para a Evolução, a qual é um blueprint da Forma habitada pelo Espírito.

Quando aplicarmos essa Lei Universal para aprimorar as estruturas energéticas que “vivem” dentro de nossa forma física ou para aprimorar outros tipos de estruturas que temos operando em nossas vidas, atingiremos resultados benéficos, claros e eficazes. Isto ocorre porque intentamos viver em harmonia com a Lei. Todas as estruturas energéticas (containers, casas, corpos ou entidades) devem ser definidas a fim de se determinar o conteúdo energético e a vibração dentro da estrutura. É importante compreender que se trata de uma Lei Universal que governa energia e forma. (Veja o item três.) Se a estrutura energética ou física não for definida com uma missão, propósito ou intenção claros, isso significa que a estrutura (container, casa, corpo ou entidade) será invadida, infiltrada ou usada por forças escuras que a tomará (assumirá) para sua agenda específica.

O ato de comandar o próprio espaço significa participar com essa Lei definindo a autoridade de quais energias permitimos que entrem em nossos corpos, containers ou casas. É responsabilidade do indivíduo comandar seu espaço e defender seu direito a escolher sua autoridade. Não é algo que Deus Fonte (God Source) ou as famílias crísticas possam fazer por você. É assim porque as famílias crísticas são obedientes às Leis Naturais de Deus, as quais jamais permitem superimposição sobre o arbítrio pessoal de escolha. (A menos que o arbítrio pessoal seja aniquilar ou prejudicar intencionalmente outras espécies). [1]

Lei do Consentimento…

Para os propósitos de retomar o controle de sua própria mente, corpo e consciência espiritual manipulados por aqueles humanos e alienígenas negativos que têm abusado da Lei da Estrutura nesse corpo planetário, nós estamos discutindo o alicerce da Lei do Consentimento e sua crucial importância.

O que nós mantemos como nossa intenção em nossos pensamentos pessoais é o que mantemos como nosso Consentimento em relação àquela forma-pensamento e sua qualidade e força vibracionais, bem como à consequência energética da substância da forma-pensamento criada, o que impacta a nós mesmos e aos outros. 

Isso significa que, quando nós mantemos uma forma-pensamento ou comportamentos que vibracionalmente correspondem às intenções Luciféricas ou às intenções Satânicas – na mesma ou igual vibração ou nível frequencial – esse é o consentimento que damos para estarmos sob a autoridade (ou em troca) daquelas mesmas forças.

  • •O que nós pensamos é o que nós criamos através do Intento, Consentimento e Estrutura.
  • •A soma total da intenção energética por trás dos acumulados pensamentos e palavras que falamos no momento agora é mais importante que a linguagem verbal usada a fim de se estabelecer o intento, o consentimento e a autoridade.
  • •O fato de nós pensarmos o pensamento automaticamente sob os programas de controle mental significa que temos dado consentimento ao pensamento sem nossa participação consciente com o intento. Esse é o fator principal da exploração humana pela AAN através do controle mental. Tirando o conhecimento do Intento pessoal, eles removem o consentimento pessoal dentro das leis.
  • •A soma total dos acumulados pensamentos vibracionais e das palavras expressas sobreporão a escolha de uma pessoa. Isso significa que uma pessoa que não tem participado conscientemente, o que ocorre ao se dar consentimento pessoal e autoridade, faz a escolha através da ressonância frequencial acumulada. Isso é a média pesada da soma total do corpo, pensamentos, emoções, ações e comportamentos do indivíduo que corresponde e iguala a uma ressonância frequencial geral. Essa ressonância frequencial geral é o que decide o Intento, o Consentimento e a Estrutura para aquela pessoa.
  • •Isso significa que disciplinar e controlar nossos pensamentos internos é extremamente importante, já que esses pensamentos adicionam energias acumulativas que formam o intento, o consentimento e a autoridade feitos por essa Lei.
  • •A Lei do Intento, Consentimento e Autoridade e a Lei da Estrutura são leis propositalmente ocultas e manipuladas pela AAN a fim de controlar os seres humanos que não estão cientes dessas leis energéticas, nem cientes que podem ganhar poder pessoal para recuperar sua consciência espiritual e energética através da obediência a essas leis.

Muitas vezes queremos saber como são nossas potencialidades, virtudes, capacidades e não é fácil reconhecer e trabalhar com elas. Jung fala sobre as diferenças de personalidade através dos tipos e funções. 

 

jung-13-728A Estrutura Psíquica segundo Carl Gustav Jung..

A personalidade é denominada por Jung como psique. Em sua teoria há inúmeros sub-sistemas que interagem o tempo todo. Assim, podemos dizer que a principal característica do sistema psíquico aqui é o dinamismo. Jung foi chamado por Freud de “o príncipe herdeiro da psicanálise”, mas seu cargo foi logo dispensado, pois em suas pesquisas Jung formulou uma teoria que divergiu muito da freudiana.

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O ponto-chave desta separação entre os dois psiquiatras foi a formulação do conceito de inconsciente. Jung percebeu que o inconsciente não era apenas um reservatório de emoções sombrias e desejos primitivos e perversos, mas que também era fonte de criatividade e elo inexorável entre o homem primitivo e o contemporâneo. Para tanto, dividiu o inconsciente em pessoal e coletivo. 

Continuou com a ideia da consciência, estipulando o ego como seu centro. Nada chega até a consciência se não for pelo ego. Assim, o ego é o organizador da consciência, composto de percepções conscientes, recordações, pensamentos e sentimentos. É o ego que fornece continuidade e identidade à personalidade. Apesar de ser uma parte pequena na psique total, é o ego que desempenha a função básica de vigia da consciência. Ao contrario do que pensamos, quando interagimos socialmente, não mostramos o ego, nem vemos o ego de outrem, mas sim a persona. O ego é um organizador das diversas personas.

Persona é o termo que Jung utilizou para designar os muitos papéis sociais que desempenhamos para interagir com o mundo. A persona se desenvolve desde os primeiros anos de vida, quando a criança aprende quais valores são socialmente aceitos e quais comportamentos são valorizados pelos seus pais. Assim, o indivíduo apresenta padrões de comportamento condizentes com aquilo que aprendeu como sendo a conduta adequada frente a cada um dos ambientes e situações nas quais precisa desempenhar funções.
As características ou comportamento que são considerados indesejados, os aspectos instintivos e animalescos, são reprimidos no inconsciente pessoal, e formam o que Jung chamou de sombra, que, apesar de estar no inconsciente, continua exercendo sua influência no campo da consciência. Essa influência torna-se maior e perigosa quando a sombra é negligenciada.
Foi Jung que utilizou pela primeira vez o termo Complexo, sendo depois amplamente utilizado por Freud (como no complexo de édipo, por exemplo). Mas, de uma forma diferente, o complexo não seria uma patologia, mas sim uma estrutura inerente ao sistema psíquico. Os complexos pertencem ao campo do inconsciente pessoal, apesar de seu núcleo ser herdado geneticamente e, portanto, pertencer ao inconsciente coletivo, o qual abordaremos em seguida. Os complexos seriam aglomerados de energia psíquica atraídos por um determinado padrão de sentimento, pensamento, percepções, memórias advindas de uma ou mais experiências. Cada complexo possui um centro, denominado arquétipo, que estipula uma imagem simbólica coerente com a energia psíquica aglomerada. Vamos exemplificar para tornar isso mais claro.

Todos possuímos um complexo materno, que pode ser positivo ou negativo, conforme as experiências de um indivíduo. A partir da interação do indivíduo com a sua mãe real, uma pessoa pode sofrer um “trauma”e passar a ter dificuldades em lidar com essa representação da mãe, constituindo assim um complexo materno negativo, que acaba concentrando energia psíquica de forma intensa neste complexo, mantendo o indivíduo inconscientemente fixado nesta relação mal resolvida. Neste caso, a imagem simbólica do arquétipo poderia ser uma bruxa, quando num complexo materno positivo seria Durga, Nossa Senhora, Iemanjá, e todas as figuras da grande mãe de todas as culturas.

Nas pesquisas sobre o simbolismo das alucinações e fantasias de seus pacientes psiquiátricos, Jung descobriu a existência de determinados padrões de comportamento característicos da espécie humana, e portanto, herdados por todas as pessoas em quaisquer culturas e regiões. Deu o nome de arquétipo à esta tendência inata que direcionam o desenvolvimento humano. É o equivalente psíquico ao DNA.

O arquétipo, apesar de constituir o núcleo central dos complexos, pertencem ao inconsciente coletivo, que é a parte mais arcaica do inconsciente presente em todos os seres humanos. Cabe ressaltar que, apesar de todas as pessoas herdarem os arquétipos, a expressão de um ou de outro dependerá das experiências de vida do indivíduo.
Porém também temos os arquétipos que existem como estruturas psíquicas, cujo funcionamento dinâmico depende também das experiências de um indivíduo. É o caso do animus e anima. Animus é o arquétipo do masculino na mulher e aanima é o arquétipo do feminino no homem. Sua formação e ativação, portanto, também seu modo de funcionamento são ativados pela experiência que o indivíduo têm com o sexo oposto.
Dentro de todo sistema arquetípico, existe um arquétipo central, centro regulador de toda psique – consciente e inconsciente -, potencial inato ordenador e organizador da vida psíquica, que direciona o desenvolvimento da personalidade que é chamado de Self.

O Self é um fator interno de orientação, é o Self que envia símbolos à consciência para que possam ser interpretados e revelados. Este entendimento e integração permitem ampliar a consciência sobre si mesmo e cumprir a meta do desenvolvimento psicológico total.
Então entramos aqui num quesito importante a respeito do que se fala em muitos centros que tratam a espiritualidade: a morte do ego. Como vimos, o ego é apenas um instrumento, uma pequena parte da psique consciente, mas deveras importante. Muito mais influencia negativamente a sombra do que o ego. O caminho que tantos pregam chamando de “morte do ego”, é na verdade a ligação do ego com o Self, o que leva a um desenvolvimento consciente do Self, somente acessível através de um árduo processo de compreensão e aceitação dos nossos processos inconscientes. Assim, o ego não parece ser mais o centro da personalidade, mas se torna apenas uma das inúmeras estruturas psíquicas.

A este processo de desenvolvimento da personalidade rumo à consciência plena de todos os seus aspectos foi denominado por Jung como individuação. A meta da individuação é atingir a experiência profunda de que todos os níveis da psique sao um mesmo todo, pleno de potencialidades. E desse modo o indivíduo pode se perceber dentro da sua verdadeira natureza, ou seja, indivisível, completo, total e repleto de possibilidades de realização.

A obra de Jung é extensa e muitos livros de domínio público podem ser encontrados na rede. Ofereço aqui alguns:

Filmes:

00000201_435_tbA Atenção é uma atitude mental onde a atividade psíquica é concentrada sobre um estímulo específico.

Uma maneira importante pela qual a percepção se torna consciente é através da Atenção que, em essência, é a focalização consciente e específica sobre alguns aspectos ou algumas partes da realidade. Assim sendo, nossa consciência pode, voluntariamente ou espontaneamente, privilegiar um determinado conteúdo e determinar a inibição de outros conteúdos vividos simultaneamente. Portanto, reconhece-se a Atenção como um fenômeno de tensão, de esforço, de concentração, de interesse e de focalização da consciência.

Atenção pode sofrer alterações em todos os transtornos mentais e emocionais. Mesmo quando não existam alterações psíquicas tão evidentes, como é o caso da ansiedade simples, a Atenção pode apresentar oscilações. Uma série de fatores intra-psíquicos pode modificar a sua eficácia da Atenção mesmo dentro dos limites da normalidade. Vários estados emocionais podem alterar a capacidade de Atenção, ora alterando sua intensidade, ora alterando sua tenacidade ou sua vigilância. Sob a influência de determinados alimentos, de bebidas alcoólicas e de substâncias farmacológicas, aAtenção também pode experimentar alterações em seu rendimento e em sua eficiência.

A Memória, no sentido estrito, pode ser entendida como a soma de todas as lembranças existentes na consciência, bem como as aptidões que determinam a extensão e a precisão dessas lembranças . De modo geral a Memória necessita de duas funções neuropsiquícas fundamentais; a capacidade de fixação, que é a função responsável pelo acréscimo de novas impressões à consciência e graças à qual é possível adquirir novo material mnemônico, e a capacidade de evocação, ou reprodução, pela qual os traços mnêmicos são revividos e colocados à disposição livremente da consciência.

A Atenção pode ser entendida como uma atitude psicológica através da qual concentramos a nossa atividade psíquica sobre um estímulo específico, seja este estímulo uma sensação, uma percepção, representação, afeto ou desejo, a fim de elaborar os conceitos e o raciocínio. Portanto, de modo geral a Atenção parece criar a própria consciência.

Alguns autores consideram a Memória em si, um processo puramente fisiológico, enquanto a fixação e a evocação mnêmicas das lembranças seriam atos psíquicos e vividos pelo indivíduo.

Para que uma lembrança seja eficaz é indispensável a compreensão do objeto sobre o qual se polariza a Atenção, condição essa que depende da afetividade e do interesse.Kraepelin já afirmava a lembrança poderia persistir por mais tempo quanto mais claramente (mais compreensivamente) se percebia o estímulo original e quanto mais numerosas e intensas fossem suas ligações com o resto do conteúdo da consciência. Portanto, as lembranças perduram por mais tempo quanto mais são reforçadas pela repetição.

A Memória como Parte Importante da Consciência
Para estudar os mecanismos da memória é didático fazer analogia com o mecanismo dos computadores. Tal como os os computadores, nossa mente está equipada com dois tipos básicos de memória: a memória imedita (de trabalho) para tratar a informação do presente momento, e a memória de longo prazo, usada para arquivar durante longo tempo.

Ao contrário do que se pode pensar, nosso cérebro não está continuadamente registando tudo que nos acontece para, num segundo momento, selecionar e apagar o que não é importante. A maior parte dos estímulos com os quais estamos lidando permanece por um brevemente tempo na memória, mais precisamente, na memória imediata ou de trabalho. A analogia que se faz com o computador é com a chamada memória RAM, ou seja, com a memória de acesso aleatório da máquina (Random Access Memory).

Depois de algum tempo esses estímulos trabalhados pela memória imediata se evaporam dando lugar à outros. A memória imediata nos permite realizar os cálculos de cabeça, permite reter números de telefone durante algum tempo, permite continuar um diálogo baseado no início da conversa, permite saber o nome do interlocutor durante algum tempo (diretamente proporcional à importância deste para nós).

Continuando nossa analogia, podemos dizer que a memória de longo prazo seria como o disco rígido do computador, registando fisicamente as experiências passadas na região do cérebro designada córtex cerebral. A córtex, ou a camada exterior do cérebro, contém aproximadamente dez bilhões de células nervosas, as quais se comunicam intensamente trocando impulsos eléctricos e químicos.

Sempre que um estímulo atinge nossa consciência, seja uma imagem, som, ideia, sensação, etc., ativa-se um conjunto destes neurônios, modernamente chamado de “assembléia neuronal“. A teoria baseada nas assembléias neuronais representa um modelo muito convincente para a formulação de uma hipótese a respeito da construção da consciência. Segundo essa teoria, o pensamento consciente é gerado quando vários neurônios de diversas colunas se unem funcionalmente e, atuando harmonicamente e em conjunto, constroem uma assembléia, iniciando assim a formação de um determinado estado consciente. Depois desse novo estado de consciência esses neurônios do conjunto que participou do estímulo nem sempre retomam o estado original. Eles costumam fortalecer as ligações uns com os outros, tornando-se mais densamente interligados.

Quando isso acontece constroi-se uma memória consciente, e o que quer que estimule essa rede ou assembléia trará de volta a percepção inicial sob a forma de recordação. O que entendemos como recordações são, afinal, padrões de ligação entre células nervosas. Uma recordação recém-codificada pode envolver milhares de neurónios abarcando todo o córtex.

Segundo a teoria dos conjuntos de células envolvidas na consciência e memória, os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa ou apreenderem um determinado estímulo. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo se dissolve e os neurônios estão novamente aptos a se engajarem em outras assembléias, para cumprirem uma nova tarefa . Portanto, esse conjunto, rede ou assembléia de neurônios dilue-se, caso não seja reutilizada, mas, se a ativarmos repetidamente, o padrão de ligações incorpora-se cada vez mais nos padrões de nossos tecidos nervosos.

É devido a essa organização e dissolução dinâmica das assembléias neuronais que podemos comparar a atividade mnêmica fugaz com a memória RAM do computador. Há, ainda, um aspecto quantitativo acerca dessa assembléia neuronal, segundo a qual, quanto maior o número de neurônios recrutados, maior será o tamanho dessa assembléia e, em conseqüência, maior será a recém criada consciência ou memória, em termos de intensidade e tempo de duração. Contrariamente, se for pequeno o número de neurônios recrutados, a memória resultante será pequena em intensidade e duração.

Os estímulos são registrados na memória de longo prazo mediante repetição ou através de sua carga afetiva. Enquanto a decisão de armazenar ou diluir uma informação possa ser voluntária, a eficácia dessa memorização nem sempre depende de nossa vontade. A eficácia da memória, e indiretamente da consciência que se tem do vivido, é um atributo automático do hipocampo.

00000201_437 O hipocampo é uma pequena estrutura bilobular alojada profundamente no centro do cérebro. Tal como o teclado do nosso computador, o hipocampo é como uma espécie de posto de comando. À medida que os neurônios do córtex recebem informação sensorial, transmitem-na ao hipocampo. Somente após a resposta do hipocampo é que os neurônios sensoriais começam a formar uma rede durável (assembléia). Sem o “consentimento” do hipocampo a experiência desvanece-se para sempre.

É aqui que entra a carga afetiva necessária para que o estímulo se fixe na memória de longo prazo. A atitude de “consentimento” do hipocampo parece depender de duas questões. Primeiro, a informação tem algum significado emocional, portanto, tem que ter alguma importância afetiva. O nome de uma pessoa muito atraente tem mais probabilidade de conseguir “autorização” do hipocampo para se fixar no “disco rígido” de nosso computador, do que o nome do jornalita que escreve o obituário do jornal. É assim que nossa consciência se constrói, sempre em conformidade com nossos próprios interesses emotivos.

A segunda atitude do hipocampo é uma imediata analogia, ele avalia é se a informação que está chegando no cérebro tem relação com alguma coisa que já esteve por ai, ou que já sabemos. Ao contrário do computador, que armazena separadamente os factos relacionados, o cérebro procura constantemente fazer associações. Se o estímulo recém chegado tem alguma relação ou correspondência com algum material já armazenado, esse novo fato terá mais facilidade de agregar-se ao dinamismo psíquico. Em suma, usamos as assembléias elaboradas pela experiência passada para captar novas informações.

Através da formação continuada de assembléias neuronais os fenômenos conscientes se sucedem continuamente, cada um diferindo dos demais em duração e intensidade, de acordo com o tamanho das assembléias. Esse dinamismo faz com que a substituição de uma vivência consciente pela que se segue seja muito rápida, conferindo à consciência seu aspecto de continuidade. Aqui devemos lembrar que, também continuadamente, o hipocampo vai selecionando o que fica na memória de longo prazo e o que pertence apenas à memória imediata.

Assim, forma-se uma assembléia neuronal e, numa ínfima fração de tempo, a consciência da vivência se formaria. Essa consciência seria recém formada a partir da mobilização simultânea de um determinado número de neurônios por um período de tempo variável e, imediatamente depois de terminada sua função, seria substituída por outra assembléia (consciência), depois por outra e assim sucessivamente.

Esses arranjos neuronais obedecem uma estrutura muito pessoal que, em seu conjunto, acabam por corresponder (ou contribuir para) ao perfil afetivo e sensibilidade de cada um e, quem sabe até, para a vocação de cada um. É por isso que um mesmo quadro pode impressionar diferentemente as várias pessoas que o observam; alguns se sensibilizam com as tonalidades, outros com o tema, outros até com a combinação quadro-moldura, outros só conseguem memorizar o preço e assim por diante. Podemos constatar essa experiência facilmente retirando o quadro da vista das pessoas e pedindo para elas descreverem o que viram: … cores fortes…. tema triste…. muito grande…. deve valer muito… e assim por diante.

Assim sendo, as condições capazes de perturbar o hipocampo acabam por prejudicar a memória e, conseqüentemente, a integração da consciência. A Doença de Alzheimerdestrói gradualmente esse órgão, portanto, destrói a capacidade para formar novas memórias. O envelhecimento normal também pode causar danos mais sutis. Alguns estudos sugerem que a massa encefálica decresce, a grosso modo e variavelmente, de cinco a dez por cento a cada dez anos.

Exceto em casos mais patológicos, como por exemplo na Doença de Alzheimer ou nos problemas vasculares, a idade por si só parece não perturbar a nossa memória significativamente. A idade, quando muito, torna as pessoas um pouco mais lentas e menos precisas e, embora as médias apontem para o declínio com a idade, alguns octogenários continuam mais incisivos e rápidos que os adolescentes.

Evidentemente existem circunstâncias clínicas capazes de prejudicar o rendimento da memória ao longo dos anos. A pressão sanguínea elevada cronicamente pode prejudicar a função mental. Alguns estudos constatam que ao longo dos anos, as pessoas hipertensas perdem duas vezes mais capacidade cognitiva que aqueles que apresentam tensão sanguínea normal. Também o excesso de álcool ou o funcionamento deficiente da glândula tiróide, assim como a depressão, a ansiedade e a simples falta de estímulo estão associados ao prejuízo da memória.

O Estresse e a Memória…

Atualmente um novo problema parece estar associado ao desgaste da capacidade de fixação. É o excesso ou sobrecarga de informação. As informações dos tempos modernos chegam até nós através dos mais variados meios: jornal, revista, rádio, televisão, cinema, fax, carta, email, internet, escola, cursos, etc… Muitas vezes essa avalanche de informações superam nossa capacidade de apreensão eficaz.

Essa dificuldade de apreensão e, conseqüentemente, de memorização tem muito a ver com o estresse por excesso de estimulação e solicitação. Evidentemente, em curto prazo o estresse até habilita nosso cérebro a reagir mais prontamente aos estímulos, sendo essa a função primária da ansiedade do estresse. Em longo prazo, entretanto, o desgaste supera a eficiência.

Algumas pesquisas na área do estresse calculam que, ao fim de cerca de 30 minutos, os hormônios do estresse (adrenalina e cortizona) começam a desativar as moléculas que transportam glucose para o hipocampo, deixando assim essa parte do cérebro com pouca energia.

Depois de períodos mais longos, os hormônios do estresse podem acabar comprometendo seriamente as ligações entre neurônios e fazendo o hipocampo reduzir ao máximo sua ação, tal como uma espécie de atrofia funcional. Esta espécie de atrofia funcional é reversível se o estresse for curto, mas um estado de estresse que demora meses ou anos, pode acabar inutilizando definitivamente neurônios do hipocampo.

Como vimos acima, quem garante a eficácia da memória, indiretamente da consciência que se tem do vivido, é um atributo automático do hipocampo, portanto, havendo dano dessa estrutura cerebral a capacidade de fixação mnêmica estará prejudicada.

O Estrogênio e a Memória…

As pesquisas que relacionam o estrogênio (hormônio feminino) com a memória foram estimuladas indiretamente, partindo da observação de que as mulheres que tomavam estrogênio reduziam o risco de contrair a Doença de Alzheimer.

A a importância do estrogénio em relação à memória verbal foi testado em mulheres jovens, antes e depois de serem submetidas a tratamento para tumores uterinos. Os níveis de estrogênio dessas mulheres decresciam fortemente depois de 12 semanas de quimioterapia, assim como decresciam também os seus resultados nos testes de retenção da leitura. Mas, quando metade dessas mulheres juntou estrogênio ao regime terapêutico, a memória melhorou prontamente.

As razões para esse efeito protetor sobre a memória atribuído ao estrogênio ainda não são claras, mas o hormônio parece catalisar o desenvolvimento de neurônios no hipocampo e fomentar a produção de acetilcolina, um composto (neurotransmissor) que ajuda as células cerebrais a se comunicarem. Infelizmente, o uso de estrogênio também tem riscos, em especial para as mulheres com predisposição para o câncer de mama.

Foco de Atenção…

O aspecto para o qual se dirige a atenção é chamado de alvo (perceptual e motor), por isso e apropriadamente, podemos fazer uma analogia didática do focalizar da consciência com um alvo de tiro. O elemento que, em dado momento, constitui o objeto de nossa atenção, ocupa sempre o ponto central do campo da consciência. O centro desse alvo perceptual corresponde ao grau máximo de consciência e é denominado foco da Atenção. Aí, tudo o que é focal é percebido com atenção em seu redor, porém, existem outros objetos ou fenômenos psíquicos, os quais, sem ter abandonado o campo da consciência, deixam de ser objeto de atenção. Os círculos concêntricos mais próximos exprimem, esquematicamente, a área subconsciente e o círculo mais afastado o inconsciente.

O elemento que, em dado momento, constitui o objeto de nossa atenção, ocupa sempre o ponto central do campo da consciência, portanto, nossa capacidade para concentrar a atividade da consciência em uma só coisa acaba, forçosamente, excluindo total ou parcialmente as demais. Entre as partes deste conjunto composto pela consciência, subconsciente e inconsciente não é possível estabelecer limites de nítidos.

Aspecto Temporal da Atenção…

Geralmente a duração de um determinado foco de Atenção é breve. Existe constante passagem da Atenção de uma parte da realidade para outra e isso se dá por várias razões. De um lado, existe na Atenção, como em todos os processos psicológicos, uma forma de saciedade. Esta saciedade tende a inibir a continuidade de Atenção em determinada direção, como se a pessoa estivesse continuadamente em busca de novidades perceptivas. A Atenção tender a mudar, espontaneamente, depois de um período de focalização em uma parte da realidade.

Outra razão para a passagem da Atenção de uma parte da realidade para outra é obtenção de uma certa organização perceptual. É difícil ou impossível, por exemplo, organizar o todo a ser percebido com um único olhar. É preciso passos sucessivos de exploração para que cada parte ou aspecto seja fixado por sua vez.

É importante esses aspectos temporais da organização perceptual e mesmo caso dos padrões estático de certos estímulos, a percepção adequada envolve, invariavelmente, mudanças sucessivas de focos de Atenção. Este é um elemento fundamental para o artista, por exemplo, o qual precisa, construir sua obra de arte de tal forma que o olho do observador seja dirigido numa direção determinada através do quadro ou da estátua. Sem esse elemento organizacional não seria possível a percepção dos detalhes alocados no objeto.

Mais uma razão para a passagem da Atenção de uma parte da realidade para outra é a limitação da quantidade de material que pode ser incluída no foco de Atenção, em cada momento considerado. Um hipotético olho cósmico, se existisse, poderia apreender simultaneamente completamente tudo de uma determinada situação mas, o ser humano e os organismos inferiores, entretanto, podem apreender apenas uma proporção limitada da realidade. Uma forma de estudar o problema do alcance máximo do foco de Atenção é através da análise da amplitude da apreensão.

Esta Amplitude da Atenção se refere ao número máximo de objetos que podem ser percebidos imediatamente. Espalhando um pequeno número de grãos de feijão numa mesa e olhando de relance, procuramos ver quantos grãos existem. Verificaremos que cometermos poucos erros quando os grão são em número de cinco ou seis mas, a partir desse número, começamos a errar mais. Portanto, nossa Atenção se desloca de tempos em tempos para outras partes da realidade porque é limitada a capacidade de apreendermos simultaneamente muitas coisas.

Sob este ponto de vista, a atividade mental consiste num vaivém perpétuo de focalizações da Atenção em acontecimentos interiores, em sensações, em sentimentos, em idéias e em imagens mentais que se associam ou se repelem, segundo as leis do dinamismo psíquico. Serão estes diferentes estados de Atenção que permitem o aspecto dinâmico na atividade da consciência.Em função da atividade predominante, distinguem-se 3 tipos principais de Atenção: sensorial, motora e intelectual.

Tipos de Atenção…

Nossos 5 sentidos podem ser ativados conscientemente para focalizar a Atenção sobre um determinado estímulo. Os condicionamentos, muitas vezes inconscientes, podem proporcionar uma certa atividade de espera, mais ou menos orientada, no sentido de confirmar ou não uma determinada expectativa.

Ao acrescentar mais sal na comida, por exemplo, nosso paladar espera, com certa expectativa, constatar determinado gosto, assim como esperamos ver, momentos antes, determinada cena de acidente ao constatar a direção e velocidade de um carro de corridas. Trata-se da espera pré-perceptiva. Outras vezes, entretanto, quando os resultados fogem completamente da expectativa perceptiva, acontece uma espécie de choque sensorial que dá origem a um estado de surpresa.

Atenção Motora…

Na Atenção Motora, a consciência está concentrada na execução de uma atividade física e muscular pré-programada. Ao olhar para um objeto, por exemplo, a pessoa se inclina na direção desse objeto, e o mecanismo ocular atua de forma que os olhos se dirijam ao objeto até que este caia na fóvea; os músculos do cristalino se acomodam de forma que a imagem fique no foco mais claro, etc. Ao ouvir um som baixo a pessoa estica o pescoço para a frente, coloca sua mão atrás da orelha, e pode fechar os olhos a fim de eliminar os estímulos visuais concorrentes na tentativa de selecionar um determinado objeto (sonoro) como foco de sua Atenção. Talvez seja por isso que algumas pessoas têm que tirar os óculos de sol para prestarem mais Atenção em sons ou imagens.

A Atenção Motora se caracteriza também pela tensão estática dos músculos, juntamente com uma hipervigilância da consciência. Esta atividade de espera chamada por Pléron de “atividade imobilizante”, e exige um grande consumo de energia.

Veja-se, por exemplo, a brincadeira de tapa nas mãos. Neste joguete um dos jogadores, aquele que dará os tapas, fica com as mãos espalmadas para cima, enquanto o outro coloca suas mãos sobre as mãos do primeiro. Repentinamente o primeiro tentará retirar suas mãos e estapear as mãos do segundo. Vence o mais rápido. O segundo deve retirar suas mãos, tão logo perceba que o primeiro iniciou o movimento de estapeá-lo.

O papel da eficiência da Atenção, nesses casos, consiste privilegiar os elementos automáticos da psicomotricidade, ao mesmo tempo em que reduz os elementos intelectuais eventualmente atrelados ao movimento. Esta forma de Atenção representa uma espécie de alerta às atividades musculares que devem responder prontamente a determinada situação no sentido de favorecer a adaptação.

Atenção Intelectual…

Representa o ato de reflexão e de atividade racional dirigidos na resolução de qualquer problema conscientemente definido. Apesar da divisão da Atenção em Atenção Sensorial, Atenção Motora e Atenção Intelectual, de certa forma a Atenção implica sempre em alguma atividade intelectual, ora orientando os movimentos, ora dando sentido às percepções.

Afeto e Atenção…

Um dos fatores individuais de maior influência no processo da Atenção destacam-se as condições do estado de ânimo ou de interesse, os quais podem facilitar ou inibir a mobilização da Atenção. Portanto, o elemento afetivo tem significação determinante no processo da Atenção, admitindo-se que a pessoa só dirige a Atenção aos estímulos que lhe despertam interesse. De fato, ao constarmos que nossa Memória tem mais afinidade para as coisas que nos despertam maior interesse, estamos falando antes, que nossaAtenção (indispensável para a Memória) é mobilizada mais prontamente pela nossa afetividade.

Nossa Atenção sobre algo é tanto mais intensa quanto mais nos interessa esse algo, quanto mais desejamos conhecê-lo e compreendê-lo, quanto mais isto nos proporcione prazer ou satisfação. É por isso que, durante os episódios depressivos, onde o prazer e o interesse estão significativamente comprometidos, a Atenção e a Memória estarão também severamente prejudicadas; por falta de interesse e prazer.

Despertam mais nossa Atenção as coisas com as quais mantemos algum laço de interesse, alguma predileção. Passeando num shopping as pessoas detém-se (prestamAtenção) diante das vitrinas que lhes despertam maior interesse, que mais lhes mobilizam afetivamente. Ao estudarmos a sensopercepção também constatamos o fenômeno de predileção sensorial de acordo com as tendências afetivas, como é o caso do artista, capaz de perceber com mais acuidade a obra de arte. A Atenção seria a principal parte dessa predileção sensorial.

De acordo com o papel que determinado estímulo desempenha ou possa eventualmente desempenhar na vida pessoal, ele exercerá uma força maior ou menor de atração sobre aAtenção. A Atenção realiza uma seleção natural de seus objetivos em função da disposição pessoal, a qual tende a iluminar determinados objetos. A Atenção está sempre dirigida para algo conscientemente desejado e esse tipo de disposição da pessoa para com o objeto é chamado interesse. O interesse e a Atenção estão tão intimamente ligados que não é possível existir Atenção completamente desprovida de interesse (Stern).

Níveis e Distribuição da Atenção…

Ao estudar a extensão do campo de Atenção, julga-se muito mais importante a captação de uma totalidade ou captação do todo significativo, que a quantidade de objetos que a serem captados pela Atenção. Para William Stern, a Atenção é a condição imediata para a produção de uma realização pessoal e suas características consistem num esclarecimento consciente, na concentração de uma força psíquica disponível para o esclarecimento da realidade.

A Atenção da pessoa, num determinado momento pode estar distribuída de várias maneiras no campo da realidade. Pode estar concentrada num único objeto, dando-se pouca Atenção ao resto, pode estar difusamente espalhada, sem que uma parte específica esteja predominantemente em foco ou, por fim, pode estar dividida entre vários objetos, quando então a pessoa procura prestar Atenção, simultaneamente, a duas ou mais coisas. Quanto maior a divisão da Atenção entre objetos, maior a perda de qualidade da Atenção dada a cada parte.

Conforme vimos acima, a amplitude limitada da apreensão comprova que quanto maior a divisão da Atenção menor a sua qualidade, acentuam a necessidade da organização perceptual. Quando algumas partes do campo são organizadas em todos maiores, aAtenção necessária para percebê-las eficientemente será menor do que quando as partes são simplesmente observadas separadamente.

Através da organização e do agrupamento de objetos a serem percebidos podemos estender a amplitude da Atenção. Se separarmos nove grãos de feijão em três grupos de três grãos, podemos vê-los mais facilmente. Este é um exemplo simples do princípio segundo o qual a organização tem como função permitir; à pessoa, dirigir a Atenção para maior quantidade de material.

Podemos ver a mesma coisa, de maneira mais significativa, no desenvolvimento de habilidades específicas ou do treinamento. Não é necessário prestar Atenção a uma atividade bem treinada, pela simples razão de que o todo integrado está tão reunido que pode ser realizado sem Atenção as suas partes isoladas. A inspeção de qualidade numa fábrica, por exemplo, é uma atividade tão treinada que o funcionário é capaz de ater-se rapidamente à qualquer coisa que estiver estranha àquilo considerado desejável. Este funcionário desenvolve seu trabalho muito mais rapidamente que outra pessoa não treinada. Assim, é possível perceber, com um simples olhar, situações complexas.

A organização dos objetos facilita para que os estímulos se encaixem na expectativa a ser percebida, sem necessidade de Atenção cuidadosa a cada uma das partes isoladamente. Isso, naturalmente, permite maior eficiência, embora também possa provocar erros que passam desapercebidos, quando estes eventualmente se encaixem bem na organização.

Tenacidade e Vigilância…

Já vimos, no capítulo da sensopercepção, que o ato de perceber consiste na apreensão de uma totalidade e que essa totalidade não representa uma simples soma do elementos isolados captados pelos órgãos sensoriais. O todo sensorial caracteriza uma determinada forma, e esta forma percebida pelos sentidos será qualitativamente diferente daquilo que representa suas partes isoladas.

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Na tenacidade os recursos mentais são reunidos e focalizados em objetivo preciso. Na vigilância parece não haver uma reunião dos recursos mentais e, além disso, há uma pulverização do foco.

Bleuler destaca duas qualidades na Atenção: a tenacidade e avigilância. A tenacidade é a propriedade de manter a Atençãoorientada de modo permanente em determinado sentido, focando um ponto definido e preciso. Avigilância é a possibilidade de desviar a Atenção para um vários objetos, especialmente para estímulos do meio exterior. Essas duas qualidades da Atenção se comportam, geralmente, de maneira antagônica, ou seja, quanto mais tenacidade sobre um determinado objeto, menos vigilância, e vice-versa.

Para a Atenção, também, somente uma parte das excitações sensoriais adquire relevo, dando origem à uma forma sobre a qual se polariza a Atenção, enquanto as partes restantes representam o fundo, menos claro, mais difuso e mais fluido. Aqui, tanto quanto na sensopercepção, não existem quaisquer elementos isolados, mas apenas fins totais e integrado para alguma realização pessoal, e serão “claras” e “nítidas” as percepções contidas no foco da Atenção, “vagas” e “difusas” aquelas que se encontram além desse foco.

O nível da Atenção depende de vários fatores. Como vimos acima, o principal desses fatores é a ânimo ou o interesse, em outras palavras, o afeto. Quando nos encontramos diante de uma variedade de objetos, a Atenção está dispersa e os diferentes objetos recebem pequenas quantidades de energia e alcançam um grau médio de Atenção. Mas, ao concentrarmos a Atenção num único objeto, toda a energia se orienta neste sentido e os demais objetos ficam numa zona obscura. No entanto, no objeto em que se concentrou a Atenção se descobre uma infinidade de pormenores que haviam passado desapercebidos quando este se achava imerso nos demais. Neste caso a Atenção foi polarizada no objeto escolhido.

Isso significa que dentro do campo da Atenção nem todos os estímulos recebem a mesma conscientização e energia. Vale aqui o alvo inicialmente exemplificado: em torno de uma zona central especialmente iluminada e energicamente acentuada, situam-se zonas de fraca intensidade.

Quando estamos dirigindo o foco principal da Atenção deve estar na estrada e no trânsito à nossa volta. Em nível menos profundo de Atenção estão os acostamentos da estrada, o ruído do motor, os instrumentos do painel do veículo, etc. De um modo geral, o campo de visão mais externo, a visão periférica, utiliza a energia psíquica sem propósito de foco daAtenção, mas apenas como possibilidade para um eventual foco futuro.

Usando ainda o exemplo de dirigir, há também a Atenção de espera, quando então procuramos, espreitamos, espiamos ou exploramos, sem nenhum objeto específico à se focar a Atenção. Digamos que é uma Atenção para as possibilidades. Nesses casos, o objeto da Atenção ainda não se acha presente, tudo é indeterminado, não se conhece o onde, nem o quando do que vai ser percebido. Pode ser que um cachorro atravesse em nossa frente.

Esta expectância e incerteza exige que a Atenção percorra continuamente um campo mais amplo para, no caso do objeto aparecer, não o deixar escapar e colocá-lo imediatamente em foco. Para completar esse exemplo temos que entender o que é tenacidade e o que é vigilância.

O Ato de Concentrar a Atenção…

Alonso Fernandez considera dois aspectos no ato de concentrar a Atenção: primeiro, escolher um tema no campo da consciência, elevando-o à um primeiro plano e; segundo, manter esse tema rigorosamente destacado, sem deixar-se desviar por influências excêntricas do campo da consciência, modificando-o com plena liberdade. Assim sendo, o individuo lúcido deve dispor de liberdade diante das vivências, tornando possível o funcionamento normal da capacidade de concentração .

A primeira fase da Atenção representa a redução do campo da consciência. A percepção, representação ou conceito que se acham eventualmente no centro da consciência são percebidos, graças à concentração da Atenção, com maior clareza, nitidez e delimitação. Esse processo de concentração pode ser ativo ou passivo, dependendo da situação afetiva do momento.

Quanto à intencionalidade da Atenção distinguem-se duas formas: a Atenção espontânea e a Atenção voluntária. A Atenção espontânea, como o próprio nome diz, resulta da tendência natural da atividade psíquica em orientar-se espontaneamente para as solicitações sensoriais e sensitivas necessárias à adaptação com a realidade, sem que para tal haja necessidade imperiosa da consciência. Atenção ao andar, ao mastigar antes de engolir, desviar de obstáculos para não cair, Atenção ao manusear objetos, por exemplo.

A Atenção voluntária é aquela que já exige um certo esforço mental para algum determinado fim. Esta atividade psíquica permite que as representações e os conceitos objetos da Atenção permaneçam maior ou menor tempo no campo da consciência. Prestar Atenção à aula, por exemplo. A afetividade, visto em tópico anterior, participa inegavelmente na direção da Atenção voluntária.

Determinantes da Atenção…

Conforme vimos acima, entendendo a Atenção como voluntária ou involuntária, a primeira será quando a pessoa tem liberdade na determinação do foco de sua Atenção, liberdade em escolher intencionalmente aquilo sobre que prestar Atenção. A Atençãoinvoluntária ou espontânea refere-se a casos em que a pessoa parece menos o agente de escolha da direção de sua Atenção do que um joguete nas mãos de forças (afetivas) que a obrigam a atentar para isso ou aquilo. Em uma narração folclórica e acaboclada de um contador de casos goiano, diante da censura de sua mulher por ter olhado demais para outra mulher, ele diz: “- eu não queria olhar, mas os olhos queriam…”.

Alguns determinantes da Atenção involuntária estão relacionados ao afeto e sentimento dirigidos para o objeto, como é o caso da pessoa faminta dirigir sua Atenção, irresistivelmente, para o alimento da vitrina do restaurante.

Outros determinantes se ligam a características duradouras dos objetos estimulantes. Essas características determinantes podem ser tão solicitantes que acabam atraindo tiranicamente a Atenção, apesar parecer que a pessoa atentou voluntariamente. As características dos estímulos, que exigem Atenção, foram muito estudadas por experimentos de laboratório e por técnicas de propaganda. Esses fatores determinantes do estímulo podem ser sumariados da seguinte maneira:

DETERMINANTE DO ESTÍMULO PARA A ATENÇÃO
Intensidade O silvo da sirene do carro de bombeiros
Repetição Anúncios na televisão
Isolamento Uma única palavra, na página da revista
Movimento/Mudança O pisca-pisca no cruzamento da estrada
Novidade O desenho do último modelo de carro
Incongruência Uma mulher fumando um charuto

Distração…

Sob o rótulo de distração existem dois estados diferentes; por excesso ou por falta de tenacidade. Primeiro, diz respeito à dificuldade da Atenção em fixar-se, portanto, falta de tenacidade. A dificuldade de tenacidade não implica em prejuízo da vigilância, muito pelo contrário. Nos transtornos hipercinéticos das crianças observamos, quase sempre, uma hiper-vigilância acompanhada de hipo-tenacidade. Ela desvia sua Atenção diante de qualquer estímulo ambiental.

No segundo caso trata-se do contrário, ou seja, de uma concentração ou tenacidade muito intensa em determinado estímulo, assunto ou representação, que acaba por impedir a apreensão de tudo que não se refere ao motivo principal da Atenção, ou seja, por quase abolição da vigilância. É a distração do preocupado, do sábio ou do estudioso, interessados vivamente e exclusivamente por algum pensamento.

Na distraibilidade do primeiro caso, por falta de tenacidade, ocorre a diminuição daAtenção voluntária e a aumento da Atenção espontânea. No segundo caso, ao contrário, por excesso de tenacidade, como por exemplo na ioga, há aumento da Atenção voluntária e diminuição da Atenção espontânea. Afetivamente podemos dizer que nos estados de euforia a distraibilidade é do primeiro tipo e nos casos depressivos é do segundo, porém, em ambos extremos do humor haverá certamente prejuízo da Atenção.

Compreendido essas duas maneiras de distraibilidade vamos aos nomes técnicos:

  1. – Hiperprosexia…
    Apesar do prefixo “hiper”, há aqui prejuízo da Atenção. O “hiper” refere-se ao aumento quantitativo da Atenção. Como, em termos de Atenção, a quantidade pode ser tida como contrária à qualidade, esse tipo de alteração da Atenção se caracteriza por uma extrema labilidade da Atenção (voluntária ou tenaz), o que leva o indivíduo a se interessar, simultaneamente, às mais variadas solicitações sensoriais, sem se fixar sobre nenhum objeto determinado. Refere-se, pois, a uma hiperatividade da Atenção espontânea com prejuízo da voluntária.

Esta super-vigilância acompanhada de sub-tenacidade da Atenção é observada em estados patológicos acompanhados de excitação psicomotora, como é o caso doEpisódio de Mania (euforia), no Transtorno Hipercinético da Infância, nas intoxicações exógenas por estimulantes como a cocaína ou anfetaminas, na embriaguez, na esquizofrenia ou mesmo em pessoas normais passando por momentos de grande excitação.

  1. – Hipoprosexia
    Consiste no enfraquecimento acentuado da Atenção em todos os seus aspectos, isto é, tanto da Atenção voluntária, quanto da Atenção espontânea (tenacidade e vigilância, respectivamente). É observada nos estados onde haja obnubilação da consciência, seja por razões neurológicas ou psiquiátricas. Também na embriaguez alcoólica aguda ou naembriaguez patológica, em casos de psicoses tóxicas, na amência, nos quadros dedemência, na paralisia geral prgressivada neuro-sífilis, na esquizofrenia e em certasreações vivenciais anormais.

Os estados depressivos sempre se acompanham de diminuição da capacidade de concentrar a Atenção, particularmente nos quadros de depressão ansiosa, que podem chegar a uma diminuição acentuada da capacidade de concentrar a Atenção.

Em enfermos esquizofrênicos inibidos, a Atenção pode estar polarizada para o mundo interno (introspecção), dando ao examinador a impressão de desinteresse completo ao mundo exterior. Quando isso acontece falamos em postura autista. Nos deficientes mentais também se observa déficit da capacidade de Atenção, tanto mais acentuado quanto maior for o grau de deficiência mental, chegando, em alguns casos, à ausência completa de Atenção.

  1. – Aprosexia..
    Aprosexia é a falta absoluta de Atenção, dependendo esse tipo de transtorno de acentuada deficiência intelectual ou de inibição cortical. Esse estado difere da insuficiente capacidade de concentração de origem afetiva e das manifestações autistas dos esquizofrênico. Observa-se a aprosexia na amência, no estupor e nos estados de demências.

Alteração na evocação da Memória…

1. – Hiperminésia
Ocorre Hipermnésia quando lembranças casuais são evocadas com mais vivacidade e exatidão que normalmente, ou quando se recordam particularidades que comumente não surgem na consciência. A Hipermnésia pode ser observada em alguns estados orgânicos, como é o caso das afecções febris toxi-infecciosas. Nesses casos podem aparecer lembranças da juventude ou da infância ou de fatos que a pessoa nem sequer tinha mais consciência de sua existência. Também pode haver Hipermnésia por estimulação hipnótica, onde recordações de particularidades muito complicadas são revividas com exatidão.

Na Hipermnesia não existe um verdadeiro aumento da memória. O que se observa é, na realidade, uma maior facilidade na evocação dos elementos mnêmicos, normalmente limitados a períodos específicos ou a eventualidades específicas ou, ainda, a experiências revestidas de forte carga afetiva.

Um fenômeno curioso é a Hipermnésia que pode ocorrer em estados que precedem a morte ou quando a pessoa se defronta com situações extremamente ameaçadoras à sobrevivência. Na literatura psiquiátrica há algumas referências de casos onde a pessoa se recorda, em poucos instantes, de todos os acontecimentos da vida com absoluta clareza.

Algumas pessoas que foram salvas da morte iminente por afogamento descrevem que no momento da asfixia pareciam ver toda a sua vida passada, nos seus mais pequenos incidentes. Pareciam ver toda a vida anterior desenrolando-se em sucessão e com pormenores muito precisos, formando um panorama de toda existência . Também Jaspersdescreve essas situações limites. Perante o infortúnio, o sofrimento e a morte iminente, diz ele, a existência humana é lançada numa situação anímica extrema.

  1. – Hipomnésia e Amnésia
    A Hipomnésia e a Amnésia podem ser consideradas como graus de hipofunção da memória, ou seja, são diminuições do número de lembranças evocáveis. A Amnésia, por sua vez, seria a desaparição completa das representações mnêmicas correspondentes a um determinado tempo da vida do indivíduo. Bleuler prefere o termo debilidade da memória ao invés de hipomnesia. Ele diz ainda que a Amnésia não precisa ser completa, havendo várias gradações entre o nada absoluto e a lembrança incompleta.

Segundo Jaspers, “amnésias são perturbações da memória que se estendem a um período de tempo delimitado, do qual nada ou quase nada pode ser evocado (Amnésia parcial), ou ainda a acontecimentos menos nitidamente delimitados no tempo“. Em seguida, estuda quatro variedades de Amnésia :

  1. Primeiro – Há profunda obnubilação da consciência mais do que perturbação da memória. Como nada se pode aprender na obnubilação, nada se pode fixar, ou seja, como nenhum acontecimento atinge a consciência, não será possível alguma reprodução.
    2. Segundo – Aqui verifica-se ser possível a compreensão durante algum período de tempo, porém a capacidade de fixação está profundamente diminuída, não sendo possível reter nada. Isso é comum em psicoses orgânicas, notadamente na Korsakov.
    3. Terceiro – É quando certos acontecimentos podem ser compreendidos passageiramente, porém as disposições da memória foram destruídas por um processo orgânico bem delimitado no tempo. É, por exemplo, o que acontece nas amnesias retrógradas, após graves lesões cerebrais, em que desaparecem totalmente as experiências das últimas horas ou dias antes do acidente.
    4. Quarto – Trata-se de amnésias extremamente acentuadas, normalmente de origem psicogênica, sendo o principal defeito uma alteração da capacidade de reprodução, apesar da soma das lembranças existentes estar conservada. Nesses casos, muitas vezes a solução é conseguida por meio de hipnose.

Existem, aliás mais comumente, Amnésias Parciais, onde se verifica o desaparecimento de algumas lembranças e não de todas elas. Seriam as chamadas Amnésias Sistematizadas. Embora possam ser de causa orgânica, como por exemplo, após traumatismo cerebral ou envenenamento, a maioria é de natureza psicogênica. Quando o esquecimento se limita a certos acontecimentos da vida do indivíduo, mas este continua sendo capaz de lembrar outros fatos vividos na mesma época, Bleuler chama de Amnésia catatímica.

Tipos de Amnésia…

1. – Amnésia Anterógrada
Amnésia Anterógrada
se refere ao esquecimento dos fatos transcorridos depois da causa determinante do distúrbio e o transtorno mais freqüente desse tipo de alteração da memória é o de fixação. Costuma ser devido à uma concomitante perturbação da atenção, tanto da tenacidade quanto da vigilância.

Como a maioria dos casos se deve a alterações orgânicas, é como se houvesse uma diminuição da receptividade do sistema nervoso aos estímulos. A Amnésia Anterógradapode ser observada em lesões cerebrais agudas ou crônicas, sejam devidas a causas traumáticas, circulatórias ou tóxicas. Os doentes com Amnésia Anterógrada não podem relembrar os fatos recentes, porém, conservando a capacidade para recordar acontecimentos passados mais remotamente.

Nos estados demenciais os graves defeitos da fixação se acompanham freqüentemente de fabulações, ou seja, tentativas do paciente preencher as lacunas mnêmicas com afirmativas completamente aleatórias.

  1. – Amnésia Retrógrada
    Amnésia Retrógrada é quando ocorre perda da memória para os fatos ocorridos antes do evento que a causou. Aqui também o dano cerebral, de qualquer natureza, tem destaque principal entre as causas. Esse tipo de Amnésia se estende por dias ou semanas anteriores à lesão. Em alguns raros casos, a Amnésia Retrógrada pode compreender todos os acontecimentos anteriores da vida do enfermo.

A Amnésia Retrógrada é bastante observada nos quadros neuro-psicológicos senis, após um ictus circulatório cerebral e nos traumatismos cranianos, principalmente quando há perda de consciência. Apesar da sintomatologia exuberante, a Amnésia Retrógrada pode ser reversível, ocorrendo a regressão a partir dos fatos mais antigos para os mais recentes.

Além de neurológica a Amnésia Retrógrada pode ser psicogênica, em conseqüência de traumas emocionais intensos. Nesses casos a Amnésia pode referir-se apenas a determinado período de tempo, limitada a lembranças relacionadas com acontecimentos angustiantes. Nesses casos, na realidade, não há um verdadeiro apagamento mnêmico e a dificuldade da evocação resulta de um mecanismo de defesa (negação).

  1. – Amnésia Retroanterógrada
    Amnésia Retroanterógrada se refere ao esquecimento dos fatos ocorridos antes e depois da causa determinante. Trata-se de uma alteração simultânea da fixação e da evocação. Encontra-se nos casos graves de demências orgânicas e de traumatismos crânio-encefálicos. O antigo termo psicorrexe, pouco em uso atualmente, se refere à amnésia de instalação súbita e total, privando o indivíduo da capacidade de compreensão e de orientação no tempo e no espaço.
  2. – Amnésia Transitória
    Amnésia Transitória é, como o nome diz, uma síndrome amnésica transitória que se caracteriza pela incapacidade de fixar os acontecimentos recentes. É observada com relativa freqüência na convalescença de enfermidades toxi-infecciosas graves onde, apesar dos pacientes conservarem boa capacidade de evocação, manifestam sérios transtornos da orientação têmporo-espacial, fabulações e perseveração.

Nestes casos de estados toxi-infecciosos graves verificamos um empobrecimento mental global e simplificação do pensamento, amortecimento da vida emocional, indiferença, apatia, falta de iniciativa e apragmatismo. Em alguns casos, podem surgir síndromes de transição confusional e do tipo paranóide-alucinatória.

Outras alterações da Memória…

Paramnésias
Os distúrbios da qualidade da memória de evocação denominam-se, de modo geral, paramnesias. Estudam-se neste grupo as seguintes alterações:

1) ilusões mnêmicas;
2) alucinações mnêmicas;
3) fabulações;
4) fenômeno do já visto;
5) criptomnesia;
6) ecmnesia.

  1. – Ilusões Mnêmicas
    Tratam-se, as Ilusõs Mnêmicas, de verdadeiras lembranças fictícias, ou seja, a recordação vívida de alguma coisa irreal. Nesses casos haveria um acréscimo de elementos falsos na consciência, os quais resultariam em lembranças fantásticas como, por exemplo, ter existido antes do universo, ter vivido 10 mil anos, ser mãe de dezenas de filhos, ter participado da queda da Bastilha ou da Guerra de Tróia e assim por diante. São algo diferente dos delírios devido ao fato da pessoa poder descrever minuciosamente as cenas vividas, algo como um acontecimento oniróide.

As Ilusõs Mnêmicas são a forma mais freqüente de paramnesia e desempenham importante papel na psicopatologia, principalmente na sintomatologia psicótica. SegundoBleuler, as Ilusõs Mnêmicas constituiriam o principal material para elaboração dos delírios.Bleuler inclui nas Ilusõs Mnêmicas as lembranças imprecisas também observadas no alcoolismo agudo e crônico, nos orgânicos e nos epilépticos.

Entre as Ilusõs Mnêmicas se incluem os falsos reconhecimentos, observados em psicóticos quando, muitas vezes, insistem em identificar o médico ou a enfermeira como uma pessoa de sua família, a quem até atribuem algum nome de sua familiaridade. Nesses casos não se trata de alteração da percepção e sim de formação da Ilusõs Mnêmicas, que leva o paciente a identificar uma pessoa desconhecida com a lembrança de alguém familiar.

  1. – Alucinações Mnêmicas
    Alucinações Mnêmicas são criações imaginativas com aparência de reminiscências e lembranças, porém, não correspondem a nenhuma imagem de épocas passadas. Nos psicóticos surgem, freqüentemente, lembranças reais de vivências irreais que podem atribuir uma história de vida completamente diferente. São lembranças que não correspondem a nenhum acontecimento vivido.

Pacientes pré-demenciais ou demenciais podem apresentar essas Aucinações Mnêmicascomo cenas acontecidas recentemente. Uma nossa paciente em início de demenciação insistia que um antigo namorado vinha quase todas as noites visitá-la de carruagem. Descrevia a cena com detalhes minuciosos.

Não se trata de realização de sonhos nem tampouco de alucinação dos sentidos, pois muitos dos acontecimentos são situados no tempo em que o indivíduo normalmente se ocupava do seu cotidiano. Em outros casos, as alucinações da memória são menos sistematizadas e constam apenas de particularidades isoladas.

  1. – Fabulações
    A Fabulação consiste no relato de temas fantásticos que, na realidade, nunca aconteceram. Em grande parte, resultam de uma alteração da fixação e de uma incapacidade para reconhecer como falsas as imagens produzidas pela fantasia. O conteúdo das fabulações, como bem salientou Lange, procede do curso habitual da vida anterior, acontecendo muitas vezes que, achando-se perturbada a capacidade de localizá-las no tempo, lembranças isoladas autênticas completam erroneamente as lacunas da memória.

Nos casos em que existem alterações dos conceitos e desorganização da vida instintiva, pode-se observar a produção rica de conteúdos fabulatórios absurdos e inverossímeis, que, habitualmente, adquirem um aspecto oniróide. Em outros casos, certas imagens oníricas são rememoradas e atualizadas como lembranças autênticas.

Enquanto as Fabulações preenchem um vazio da memória e se mostram como que criadas para este fim, podendo variar de tema e conteúdo, as Alucinações Mnêmicas não mudam, tal como uma idéia delirante. No sentido mais particular, a Fabulação é, nos estados em que não há delírio, um sintoma de comprometimento orgânico.

Na coluna ao lado vemos os transtornos emocionais onde a Memória e a Atenção estão prejudicadas.

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Estrutura de personalidade em Freud Elementos psíquicos fundamentais….

  • Estrutura de personalidade em Freud Elementos psíquicos fundamentais.
  • Estrutura de Personalidade em Psicanálise A noção de estrutura de personalidade corresponde a um estado psíquico constituído pelos elementos psíquicos fundamentais (bases constantes), fixados em um conjunto estável e definitivo, sobre as quais se estabelece o funcionamento psíquico de um sujeito.
  • Estrutura de Personalidade em Psicanálise Refere-se, portanto, a uma montagem. Estrutura refere-se a uma relação de construção, estável e definitiva. Dentro de cada estrutura pode haver movimento, mudanças.
  •  A estrutura de base da personalidade corresponde a um arranjo estável e definitivo dos seguintes elementos psíquicos fundamentais: ◦pontos de fixação da libido ◦uso bastante invariado dos processos primário e secundário ◦mecanismos de defesa ◦modo seletivo de relação de objeto ◦certo grau de evolução libidinal ◦certo grau de evolução do Eu ◦atitude frente a realidade ◦modo habitual de expressão do sintoma

Para Freud, no desenvolvimento psicossexual, quando o funcionamento psíquico de um indivíduo estabelece um grau de organização dos mecanismos psíquicos fundamentais, não há mais variação possível. Freud considera três estruturas de base da personalidade:

◦Estrutura Neurótica

◦Estrutura Psicótica

Estrutura Perversa

  • Metáfora do Cristal Se lançarmos uma cristal ao chão, ele se quebra, mas não arbitrariamente; ele se parte conforme suas linhas de separação, em fragmentos cuja delimitação, embora invisível, é predeterminada pela estrutura do cristal. (Freud, 1933/2010).
  • Formação da personalidade Usando a metáfora do princípio de cristal, Freud indica que ao descompensar-se, a estrutura da personaldiade seguirá as linhas pré­-estabelecidas pelos elementos psíquicos fundamentais que a constituiu. A estrutura de personalidade revela a via de organização (não linear) da qual foi composta desde as origens a formação do sujeito.
  • Neurose, Psicose ou Perversão? Diante dessa questão, Freud vai compreender que um sujeito de estrutura neurótica não poderá desenvolver senão uma neurose, o sujeito de estrutura psicótica senão uma psicose e o perverso compreenderá uma estrutura perversa.
  • De forma geral, a evolução psíquica do sujeito em direção a uma estrutura de personalidade estável processa-se da seguinte forma: ◦Estado inicial da criança é de indiferenciação psicossomática. ◦Paulatinamente o Eu se distingue do Não- Eu. ◦Relações parentais e com a cultura de forma geral.
  • Geração de defesas contra os perigos advindos dos conflitos psíquicos. ◦Manutenção das defesas, estabilizando sua organização no psiquismo. ◦Busca de controle pelo Eu pelas dificuldades advindas da realidade e dos processos internos (exigências de satisfações pulsionais). ◦Progressivamente o psiquismo organiza-se, segundo um arranjo dos seus elementos psíquicos fundamentais.
  • Vias de formação dos sintomas Freud estabelece três séries complementares como fatores na etiologia do adoecimento psíquico: ◦Disposição constitucional. ◦Acontecimentos dos primeiros (cinco) anos infantis. ◦Acontecimentos acidentais do adulto.
  • Primeiras e segunda séries compõem a disposição da cada ser humano: Estrutura neurótica, psicótica ou perversa. ◦Contudo, não determinam a priori algum tipo de distúrbio. Terceira série está relacionada com os acidentes e acontecimentos que a vida oferece: ◦Fundamental na formação dos sintomas, na sua relação dialética com a disposição.
  • Vias de formação do sintoma Para o surgimento do sintoma, deve ocorrer uma frustração (privação libidinal) na atualidade da vida do indivíduo que coloque em movimento uma regressão da organizações da libidinal, renunciada na infância. A intensidade dos acontecimentos produzem um impacto que marca e delimita pontos de fixação, vias de regressão.
  • Vias de formação do sintoma Freud atribui à formação de sintomas a proporção quantitativa de energia psíquica (libido) que gera suspensão da descarga, desviando as pulsões sexuais para fins como a sublimação. A possibilidade de evitar o desprazer, impedindo a dor, é primordial nesse processo.
  • Constituição hereditária História de vida (+/- 5 anos) Estruturação DISPOSIÇÃO Acontecimento atual – neurótica – psicótica – perversa Adoecer: neurose, psicose, perversão Personalidade: disposição estável, habitual e integrada dos aspectos: Cognitivos: percepção, pensamento Afetivos: sentimentos Volitivos: querer Comportamentais: agir ORGANIZAÇÃO PERMANENTE DO INDIVÍDUO DADO PELA COMPOSIÇÃO PSÍQUICA DOS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS.
Referências:
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  •  Bleuler E. The prognosis of dementia praecox: the group of schizophrenias (Die prognose der dementia praecox: schizophreniegruppe. Algemeine Zeitschrift fur Psychiatrie 1908;65:436-64). In: Shepperd JCM, editor. The clinical roots of the schizophrenia concept: translations of the seminal contributions on schizophrenia. Cambridge: Cambridge University Press; 1967 p. 59-74. 
  • Brown JF (1941). General Psychology: From the Personalistic Standpoint: By William Stern. Translated by Howard Davis Spoerl. New York: The Macmillan Company, 1938.589 pp.. Psychoanal Q., 10:167-167.
  • Fernández F – Fundamentos de la psiquiatria actual. 2.ed. Madrid : Paz Montalvo, 1972.
  • JASPERS K – Psicopatologia Geral,1, Atheneu, 2ª. Ed.,1979,SP.
  • JASPERS K – Psicopatologia Geral,2, Atheneu, 2a.ed., 1979, SP.
  • Kraepelin E – Dementia praecox and paraphrenia. (From the German 8th Edition of the Textbook of Psychiatry ed.) Edinburgh: E & S Livingstone; 1919. p. 74-5.
  • Lange E – Memory-function approach to the Hall constant in strongly correlated electron systems, Phys. Rev. B 55, 3907 – 3928 (1997).                                                                                         
  • Newsletter de Agosto de 2013: Estruturas Internas do Ego
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